Adolescente de 14 anos é uma das vítimas de tornado no Paraná

A passagem devastadora de um tornado classificado como EF3 transformou o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, em um verdadeiro cenário de destruição na sexta-feira (7). Entre as seis vítimas confirmadas está Julia Kwapis, de apenas 14 anos, cuja história comoveu o país.
Julia estava na casa de uma amiga quando o fenômeno atingiu a cidade. Segundo a família, ela foi arrastada pelas rajadas de vento e ficou gravemente ferida. Sem informações precisas sobre o socorro, sabe-se apenas que a jovem foi levada ao Hospital São José, em Laranjeiras do Sul, a cerca de 18 km do local. A mãe relatou à RPC, afiliada da TV Globo, que passou a noite em claro, desesperada, sem notícias da filha. “A princípio, o que a gente soube é que ela foi jogada, arrastada. Ela chegou em um grau muito difícil… um grau quatro de sobrevivência. Ela está muito machucada”, contou, visivelmente abalada.
A dor da família se intensifica com o fato de que Julia se preparava para um momento especial: ela receberia a Crisma no sábado (8). O dia, que deveria ser de celebração, com direito a churrasco e festa em família, acabou marcado pela perda e pela tragédia.
Destruição em larga escala
O tornado, acompanhado de chuva intensa, granizo e ventos superiores a 100 km/h, deixou um rastro de destruição. De acordo com a Defesa Civil, 80% da cidade foi afetada, com centenas de casas destelhadas e prédios desabando. Ao todo, mais de 600 pessoas ficaram feridas e há suspeita de vítimas ainda soterradas.
Os ventos chegaram a 82 km/h em Dois Vizinhos e 76 km/h em Cornélio Procópio, segundo a Copel, que registrou 60 mil imóveis sem energia em todo o estado. Em Rio Bonito, mais de 3 mil residências ficaram no escuro durante a noite. A falta de energia e de água complicou ainda mais o trabalho de resgate.
O coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros do Paraná, descreveu o cenário como “um verdadeiro campo de guerra”. Equipes de diversas regiões, inclusive de Curitiba, foram enviadas para auxiliar nos trabalhos de busca. “Nossa prioridade é a busca e o salvamento neste momento. Há áreas em que praticamente nada ficou de pé”, declarou.
Mobilização e solidariedade
O governador Ratinho Junior afirmou, em nota oficial, que as forças de segurança e a Defesa Civil estão em alerta máximo. Ele embarcou para a região ainda na madrugada de sábado. “Nossa solidariedade à população das regiões afetadas. Seguimos em atenção permanente”, publicou nas redes sociais.
O governo federal também acompanha de perto a situação. Um hospital de campanha foi montado para atender feridos e abrigar famílias desabrigadas. Igrejas, escolas e ginásios esportivos foram transformados em centros de acolhimento emergencial.
Esperança em meio ao caos
Em meio ao cenário de ruínas, há também demonstrações de solidariedade. Moradores se unem para remover escombros, oferecer abrigo e levar alimentos a quem perdeu tudo. Apesar da tristeza pela morte de Julia e das outras vítimas, a comunidade de Rio Bonito do Iguaçu tenta se reerguer, apoiando uns aos outros.
O Paraná amanheceu de luto, com o coração partido por uma tragédia que mostrou a força impiedosa da natureza — e, ao mesmo tempo, a resistência e a união de um povo que, mesmo em meio ao caos, ainda encontra espaço para a esperança.



