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Sandra Mara, a mulher do ‘caso com o mendigo’, finalmente revelou o que a fez se relacionar com ele

Em março de 2022, a vida de Sandra Mara Fernandes, uma mulher comum de Planaltina, no Distrito Federal, virou de cabeça para baixo em questão de minutos. Dentro de seu carro estacionado numa rua movimentada, ela foi flagrada pelo marido, o personal trainer Eduardo Alves, mantendo relações sexuais com Givaldo Alves, um morador de rua conhecido na região. A cena, filmada por testemunhas, viralizou em poucas horas, transformando um surto psicótico em um dos casos mais comentados da internet brasileira. O vídeo mostrava Eduardo agredindo Givaldo, enquanto Sandra, em estado de confusão, parecia alheia ao que acontecia ao seu redor. O que poderia ter sido apenas mais um drama familiar se tornou um fenômeno nacional, debatendo saúde mental, vulnerabilidade social e os limites da privacidade na era digital.

Sandra foi internada imediatamente por 30 dias em uma clínica psiquiátrica. Diagnosticada com transtorno bipolar em crise aguda, ela descrevia o episódio como um “apagão mental”. Em entrevistas iniciais, como no programa Superpop, em abril de 2022, ela já havia dito que, durante o surto, acreditava estar vivendo uma experiência mística. “Eu achava que ia encontrar Deus ali”, repetiu por anos. Não havia desejo sexual consciente, nem traição planejada — apenas delírios religiosos misturados a uma perda total de contato com a realidade. Givaldo, por sua vez, foi levado ao hospital com ferimentos leves e, depois, sumiu do radar público, enquanto Sandra tentava reconstruir sua vida sob o peso da exposição.

Três anos depois, em 29 de outubro de 2025, Sandra voltou a falar abertamente sobre o caso no podcast Código do Amor, apresentado por Charles Damacena. Com tom sereno e voz firme, ela reforçou que o surto psicótico foi o único responsável pelo ocorrido. “Não era eu. Se eu estivesse no meu juízo perfeito, jamais faria aquilo”, afirmou. Ela revelou que ainda tem lacunas na memória daquele dia — lembra apenas de flashes, como se assistisse a um filme do qual não era protagonista. O medicamento controlado e a terapia intensiva a ajudaram a estabilizar, mas o trauma da viralização deixou cicatrizes profundas. “Eu não queria nem sair do quarto. Tinha vergonha de mim mesma”, confessou.

A relação com Eduardo, que durou mais três anos após o incidente, nunca se recuperou de verdade. Apesar de ele dizer publicamente que a perdoava, Sandra relatou que o assunto era usado como arma em brigas. “Ele jogava na minha cara toda vez que discutíamos”, disse. Em agosto de 2025, ela descobriu que Eduardo a traía com outra mulher enquanto ela enfrentava dificuldades financeiras. A separação foi definitiva. “Prefiro ficar sozinha do que mal acompanhada”, declarou no podcast, com um tom de alívio. Hoje, aos 40 e poucos anos, Sandra trabalha como motorista de aplicativo em Brasília, acordando às 5h para rodadas de 12 horas. “É honesto. Não tenho vergonha de recomeçar”, afirmou.

Outro ponto abordado foi a ilusão da indenização milionária. Após o caso, assessores e oportunistas prometeram processos milionários por uso indevido de imagem. Nada aconteceu. “Fui enganada. Achei que ia receber algo, mas só vieram contas e decepção”, desabafou. Com mais de 300 mil seguidores no Instagram (@sandramaraoficial), ela transformou a dor em propósito. Posta sobre saúde mental, resiliência e independência, recebendo tanto apoio quanto ataques diários. “Aprendi a ignorar os haters. Minha paz vale mais”, disse. Muitas mensagens que recebe são de pessoas em crise, agradecendo por ela ter mostrado que é possível sobreviver à vergonha pública.

No podcast, Sandra não trouxe nenhuma revelação bombástica — ao contrário do que títulos sensacionalistas sugerem. Não houve confissão de traição consciente, nem acusação direta a Givaldo. Ela apenas repetiu, com mais maturidade, o que já era público: o surto a levou a um lugar onde a razão não existia. “Doença mental não é frescura. Não julguem sem saber”, pediu. Para ela, o maior aprendizado foi a compaixão — consigo mesma e com os outros. “Se eu ajudei uma pessoa a buscar ajuda ou a não se matar, já valeu tudo”, refletiu.

Hoje, Sandra Mara é símbolo involuntário de superação. De vítima de um surto e de um sistema que lucra com tragédias alheias, tornou-se voz ativa contra o estigma da saúde mental. O caso com o mendigo não define quem ela é — mas a forma como ela se reergueu, sim. “Renasci das cinzas. Sou mais forte do que nunca”, finalizou no podcast, encerrando não um capítulo de vergonha, mas abrindo um de dignidade.

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