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Daniel Cravinhos choca ao falar sobre Lindemberg, assassino de Eloá

A recente estreia da série “Tremembé”, da Prime Video, trouxe de volta à tona nomes que marcaram alguns dos crimes mais comentados da história recente do Brasil. A produção, que mergulha no cotidiano do presídio dos famosos, tem causado grande repercussão — e, claro, dividido opiniões.

Entre os que voltaram aos noticiários está Daniel Cravinhos, condenado em 2002 pelo assassinato dos pais de Suzane von Richthofen. Em um vídeo que viralizou nas redes sociais nesta semana, ele surpreendeu o público ao revelar que mantinha amizade dentro da prisão com Lindemberg Alves, o homem que sequestrou e matou Eloá Pimentel em 2008, crime transmitido ao vivo pela televisão na época.

A cena surgiu em uma gravação publicada pela esposa de Daniel, Carolina Andrade, que decidiu fazer uma espécie de “entrevista informal” com o marido. Em tom de curiosidade, ela perguntou:
— “Você era amigo do Lindemberg? Amigo quanto, de zero a dez?”

Daniel respondeu sem hesitar:
— “Sim. Parceiro de futebol. O cara era mó gente boa, joga um bolão da p*rra, boleiro.”

A resposta gerou indignação imediata nas redes. Comentários ironizando e criticando a exposição dos condenados se espalharam rapidamente. “Falta pouco pra virarem influenciadores”, escreveu uma usuária do X (antigo Twitter). Outra foi além: “Assisti à série Tremembé e fiquei chocada com o jeito que transformaram os vilões em mocinhos. Tudo parece um roteiro pra limpar a imagem deles.”

Relembrando os crimes

Daniel Cravinhos foi condenado a 39 anos e 6 meses de prisão pelo duplo homicídio que chocou o país em outubro de 2002. Ele e o irmão, Cristian Cravinhos, mataram os pais de Suzane, com quem Daniel mantinha um relacionamento amoroso. Desde 2018, Daniel cumpre regime aberto e tenta reconstruir a vida.

Hoje, ele vive sob o nome Daniel Silva — ou, segundo outras fontes, Daniel Andrade de Paula e Silva — e se dedica à customização de motos, uma paixão antiga. Mantém um perfil profissional no Instagram com milhares de seguidores, onde divulga seus trabalhos e aparece em vídeos ao lado da esposa, que também costuma defendê-lo publicamente.

Já Lindemberg Fernandes Alves, condenado a 39 anos e 3 meses de prisão, ganhou notoriedade em 2008 após manter Eloá refém por mais de 100 horas em um apartamento no ABC paulista. O caso terminou de forma trágica, com a morte da jovem durante a invasão do local pelo grupo de elite da polícia. Hoje, Lindemberg cumpre regime semiaberto na Penitenciária de Tremembé, a mesma que abrigou Suzane, Elize Matsunaga e outros presos de grande repercussão.

Fama ou redenção?

O sucesso de “Tremembé” levantou uma discussão ética: até que ponto é aceitável dar visibilidade a pessoas condenadas por crimes brutais? Enquanto parte do público se interessa por conhecer os bastidores do sistema prisional e as histórias por trás dos nomes, outros enxergam o fenômeno como uma romantização do crime.

No fim das contas, “Tremembé” mostra mais do que a rotina dos presídios: escancara a curiosidade — e a contradição — da sociedade brasileira, que condena, mas não consegue desviar o olhar quando os velhos rostos do noticiário voltam a aparecer na tela.
 

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