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Bolsonaro tem quadro de saúde atualizado antes de ter recursos julgados no STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atravessa um dos momentos mais delicados de sua trajetória política e pessoal. Às vésperas do julgamento de seus recursos no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para esta sexta-feira (7), Bolsonaro tem tentado manter o equilíbrio físico e emocional em meio à prisão domiciliar, que já dura três meses. Segundo relatos de familiares e aliados próximos, seu estado de saúde ainda inspira cuidados, mas há sinais de melhora no humor e na rotina.

De acordo com o irmão Renato Bolsonaro, que passou três dias seguidos com o ex-presidente, Jair tem feito esforço para se manter ativo. “Vi ele contando piadas, rindo, tentando disfarçar a tensão. Tentei não tocar nesse assunto de julgamento, é muito desagradável”, contou em entrevista à Folha de S.Paulo. Renato descreveu o irmão como “mais leve”, embora ainda afetado por crises de soluço — um problema que o acompanha há anos.

Segundo ele, Bolsonaro está tomando vitaminas de proteína e fazendo exercícios físicos leves na área externa da casa, onde cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto. A alimentação também mudou: saiu o tradicional miojo, comum nos tempos de sede do PL, e entrou uma dieta balanceada, supervisionada por médicos e pela própria família. “Ele está se cuidando mais. Toma remédios contínuos e até experimenta uns produtos caseiros, coisas populares que dizem ajudar”, afirmou Renato.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também tem mostrado alívio com a recuperação gradual do marido. Ela retomou as viagens pelo PL Mulher, entidade que preside, e contou a aliados que o ex-presidente anda “mais disposto”. Nas últimas semanas, participou de eventos em Soledade (RS) e Sorriso (MT) e se prepara para visitar Londrina (PR) neste sábado (8).

Apesar de buscar uma rotina estável, o clima em torno do ex-presidente é de preocupação. Bolsonaro ainda lida com a condenação de 27 anos e três meses de prisão pela chamada trama golpista, e aguarda o desfecho dos embargos apresentados ao STF. Caso a condenação seja mantida, ele poderá ser enviado a um presídio comum, como a Papuda, ainda neste ano.

Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes enviou sua chefe de gabinete para uma vistoria no local — o que levantou especulações sobre uma possível transferência. O governo do Distrito Federal já se mobilizou e, na última segunda-feira (3), o secretário de Administração Penitenciária, Wenderson Souza e Teles, pediu que Bolsonaro passe por uma avaliação médica antes de qualquer decisão. O objetivo é determinar se o ex-presidente tem condições de suportar o ambiente prisional, dadas suas limitações de saúde.

Entre aliados, há divisão de expectativas. Alguns acreditam que Moraes manterá Bolsonaro em casa, considerando o quadro clínico. Outros, mais pessimistas, acham que ele será levado à Papuda — e descartam totalmente uma eventual prisão em unidade militar, medida vista como arriscada por poder reacender manifestações de apoiadores.

Bolsonaro foi internado pela última vez em 16 de setembro, após uma crise de soluço e pressão baixa. Desde então, tem sido monitorado de perto. “A situação dele é delicada, não é fake news”, disse Renato, tentando afastar teorias conspiratórias.

Nos bastidores, há um certo conformismo. O entusiasmo que antes mobilizava multidões parece ter se dissipado. A aposta de pessoas próximas é que, mesmo diante de uma decisão dura do STF, as reações nas ruas serão contidas. Enquanto isso, Bolsonaro segue sua rotina silenciosa, entre exercícios, orações e conversas breves — aguardando o veredito que pode definir o destino político e pessoal de sua vida.

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