Quem é Paulo Frateschi, ex-deputado do PT, e amigo de Lula morto pelo filho em SP

Uma tragédia abalou o meio político nesta quinta-feira (6). O ex-deputado estadual e histórico dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT), Paulo Frateschi, de 75 anos, foi morto a facadas pelo próprio filho, Francisco Frateschi, durante um surto na residência da família, localizada na Lapa, zona oeste de São Paulo.
Segundo informações da Polícia Militar, o ataque aconteceu pela manhã. Francisco, em um momento de desequilíbrio emocional, agrediu o pai com golpes de faca na cabeça e no braço. Paulo chegou a ser socorrido com vida e levado ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. O caso foi registrado como homicídio e violência doméstica, e o autor do crime segue sob custódia policial, em avaliação psiquiátrica.
A notícia chocou antigos companheiros de partido e figuras históricas da esquerda brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Frateschi era amigo pessoal e um dos mais leais apoiadores desde os anos 1980, foi informado ainda pela manhã e, segundo assessores, ficou profundamente abalado.
Militância e resistência
Nascido em 1949, Paulo Frateschi teve uma trajetória marcada pela militância política e pela resistência à ditadura militar. Aos 19 anos, em julho de 1969, foi preso por integrar a Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de luta armada liderado por Carlos Marighella. Ficou detido por quatro meses no temido DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo, sob o comando do delegado Sérgio Fleury, um dos principais nomes da repressão política no país.
Durante o período de prisão, Frateschi foi torturado, mas manteve firme sua posição contra o regime. Anos depois, denunciou a ligação de setores da repressão com veículos de comunicação da época e chegou a afirmar que seu próprio pai teria sido vítima de extorsão por parte de agentes do DOPS.
Com a redemocratização, Paulo se tornou uma das vozes mais respeitadas dentro do PT. Foi presidente estadual do partido em São Paulo e, já no período de governo petista na capital, ocupou o cargo de secretário de Relações Governamentais durante a gestão de Fernando Haddad (2014).
Lealdade a Lula e tragédias pessoais
Em 2018, durante as caravanas de campanha de Lula, Frateschi voltou a ganhar destaque nacional ao proteger o ex-presidente de uma pedrada durante um ato público em Chapecó (SC). O objeto lançado por um manifestante atingiu sua orelha, e o episódio virou símbolo da lealdade e coragem do militante. “Lula é um preso político”, afirmou na época, em defesa do líder petista, que estava encarcerado em Curitiba.
Mas a vida de Paulo também foi marcada por profundas tragédias familiares. Em 2002, perdeu o filho Pedro, de apenas 7 anos, em um acidente de carro na rodovia Carvalho Pinto, em Guararema (SP). Um ano depois, em 2003, outro filho, Júlio Frateschi, morreu em um acidente na rodovia Rio-Santos, entre Paraty e Angra dos Reis. Na ocasião, o então presidente Lula e ministros do governo compareceram ao velório, em um gesto de solidariedade.
Agora, mais de duas décadas depois, o militante que atravessou a ditadura, a redemocratização e os grandes embates políticos do país teve a própria vida interrompida de forma brutal — dentro de casa, pelas mãos do próprio filho. A morte de Paulo Frateschi encerra um capítulo importante da história do PT e de uma geração que lutou, literalmente, pela democracia.



