Morre Beto do Pandeiro, músico e compositor da Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca comunicou, com profundo pesar, o falecimento de Beto do Pandeiro, nome artístico de Paulo Roberto da Silva Carvalho, um dos mais importantes compositores da história recente da agremiação. O sambista, que dedicou décadas à escola do Morro do Borel, deixou um legado de grandes obras que marcaram os desfiles e o coração dos tijucanos. Em nota publicada nas redes sociais, a escola destacou o valor de sua contribuição e a emoção que suas criações continuam despertando nos apaixonados pelo Carnaval. “Beto do Pandeiro deixa o sentimento de saudade e a certeza da gratidão, que será expressada cada vez que entoarmos suas criações. Vá na paz, poeta!”, diz o comunicado oficial.
Beto iniciou sua trajetória na Unidos da Tijuca na década de 1980, período em que o Carnaval carioca vivia um dos seus momentos mais criativos e de consolidação das escolas como potências culturais. Ele começou como passista, encantando o público com sua energia contagiante na avenida, até se juntar à Ala de Compositores, onde sua verdadeira vocação floresceu. Desde então, passou a ser reconhecido pelo talento ímpar para criar letras e melodias que uniam poesia, emoção e identidade popular — marcas que o acompanharam por toda a carreira.
Entre suas obras mais conhecidas, estão sambas que se tornaram verdadeiros clássicos da escola, como “Templo do Absurdo – Bar Brasil”, “De Portugal à Bienal no País do Carnaval”, “Guanabaram, o Seio do Mar” e “Só Rio… É Verão”. Suas composições se destacavam pela capacidade de traduzir os enredos em canções memoráveis, capazes de emocionar não apenas os componentes da Unidos da Tijuca, mas também os jurados e o público das arquibancadas. Em cada verso, Beto deixava transparecer sua paixão pela cultura popular e sua profunda conexão com o universo do samba.
Um dos pontos altos de sua trajetória foi a autoria de “Ganga-Zumbi”, um samba que entrou para a história por ser o último a vencer uma disputa de escola do Grupo Especial com apenas um compositor assinado, até o ano de 2022. Esse feito, cada vez mais raro no mundo das parcerias musicais do samba, consolidou Beto do Pandeiro como um artista de sensibilidade única e de domínio completo sobre a arte de contar histórias em ritmo de batuque. Sua criação refletia força, ancestralidade e resistência — temas que ecoam na essência do Carnaval.
O falecimento de Beto do Pandeiro representa uma perda irreparável não apenas para a Unidos da Tijuca, mas também para o samba carioca. Amigos, colegas de ala e admiradores têm prestado homenagens nas redes sociais, lembrando-o como um homem generoso, talentoso e profundamente comprometido com a cultura popular. Muitos ressaltaram que sua presença era sinônimo de alegria e respeito à tradição das escolas de samba, sempre incentivando novos compositores a seguirem o caminho da criatividade e da emoção.
Mesmo após sua partida, o legado de Beto permanecerá vivo nos sambas que compôs, nas memórias dos desfiles e na voz de cada intérprete que cantar suas obras na avenida. A Unidos da Tijuca, que ele tanto amou, continuará reverberando seu nome a cada batida de tamborim e a cada verso entoado por seus componentes. Mais do que um compositor, Beto do Pandeiro foi um verdadeiro cronista da alma do samba — e sua música seguirá ecoando por muitas gerações.



