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Marjorie Estiano detona novela da Globo durante entrevista

Na noite desta segunda-feira (3), o programa “Sem Censura”, da TV Brasil, recebeu a atriz e cantora Marjorie Estiano para um bate-papo daqueles cheios de lembranças, sinceridade e emoção. Aos 42 anos, ela revisitou uma das fases mais marcantes — e também mais desafiadoras — da sua carreira: sua estreia em “Malhação”, lá em 2004, quando interpretou a inesquecível Natasha, a rebelde vocalista da banda Vagabanda.

O papel, que marcou toda uma geração de adolescentes, foi o ponto de partida de uma trajetória de sucesso na TV e na música. E Marjorie não escondeu que aquele início foi intenso, confuso e até dolorido em alguns momentos. “Foi uma época angustiante, porque eu não sabia nada sobre atuar. Embora eu já fosse profissional, eu não sabia nada mesmo. Eu tinha uma cobrança muito grande, eu não gostava de nada do que eu via, e juntou com o assédio [dos fãs], que era algo que eu estranhava”, relembrou.

Na época, ela tinha apenas 21 anos, e de uma hora pra outra se viu no centro dos holofotes. A personagem Natasha era uma mistura de força e arrogância, o tipo de vilã que o público amava odiar — e, ao mesmo tempo, torcia para ver se redimir. Mas o sucesso da personagem foi tão grande que transbordou para fora das telas. A Vagabanda, banda fictícia da novela, virou um fenômeno real. As músicas, como “Você Sempre Será”, dominaram rádios, trilhas sonoras e até shows, projetando Marjorie também como cantora.

Mas o que parecia um sonho completo se transformou em um conflito interno. “A relação com a música não era muito resolvida pra mim, porque aquelas eram as músicas da personagem. Foi um combo de elementos”, contou. Ela explicou que, naquele momento, sua identidade artística se misturava com a da vilã Natasha. “As pessoas queriam ver a cantora da Vagabanda, mas eu ainda estava tentando entender o que eu queria cantar de verdade, o que era meu e o que era da personagem.”

O sucesso foi tanto que até hoje o público lembra da época com nostalgia. No Twitter, fãs resgataram vídeos da banda e trechos de entrevistas antigas, relembrando os figurinos coloridos, o cabelo desfiado e a energia contagiante das apresentações. “É impossível ouvir ‘Você Sempre Será’ e não cantar junto”, escreveu uma internauta, resumindo o sentimento de muitos.

Durante o programa, Marjorie também refletiu sobre o contraste entre o início dos anos 2000 e o presente, marcado pelas redes sociais e pela exposição constante. “Eu nunca fui de gostar de exposição, mas acho que a gente é muito diverso. As redes se tornaram um espaço democrático, onde cada um tem seu canal. Qualquer pessoa com um celular pode criar o próprio conteúdo, e isso virou profissão pra muita gente”, afirmou.

Mesmo admitindo que não se identifica totalmente com essa dinâmica, Marjorie reconhece o valor desse novo cenário. “É uma ferramenta poderosa de expressão. Eu só prefiro ficar um pouco mais reservada, porque gosto da ideia de que o trabalho fale por mim.”

O papo terminou num tom leve e reflexivo, com Marjorie mostrando o equilíbrio que conquistou ao longo dos anos. Da intensa juventude na Vagabanda à maturidade de hoje, ela segue sendo um exemplo de talento, sensibilidade e autenticidade — dentro e fora dos palcos.

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