Famosos

Luciano Huck faz desabafo no Domingão sobre megaoperação do RJ

O apresentador Luciano Huck encerrou o Domingão deste domingo (2) com um discurso forte e emocional sobre a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro, após uma megaoperação policial que deixou 120 mortos, entre eles quatro policiais. O caso, que aconteceu nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, tem provocado intenso debate sobre o modelo de segurança pública no estado.

Logo após o último quadro do programa, Huck pediu a palavra e fez um pronunciamento que fugiu totalmente do tom leve e descontraído do dominical. “Eu sou paulista, boa parte da minha família segue em São Paulo, mas eu vivo nesta cidade há 25 anos. Foi aqui que escolhi criar meus filhos. E é uma tristeza ver o mesmo modelo de segurança pública se repetindo há décadas, sem nenhum resultado”, lamentou.

O apresentador ainda destacou a dimensão humana da tragédia. “Por trás de 120 mortos, há 120 mães que enterraram seus filhos. Você acha que foi isso que elas sonharam quando essas crianças corriam pelas vielas do Alemão e da Penha? Claro que não”, disse, com a voz embargada.

Huck ressaltou a importância do combate ao tráfico e à criminalidade, mas defendeu que as ações não podem se limitar à repressão. “É preciso sufocar o poder financeiro das organizações criminosas, valorizar os policiais e, principalmente, gerar oportunidades reais para quem nasce nas periferias. Dar boas referências, abrir caminhos e mostrar que há outros futuros possíveis.”

O discurso, que durou cerca de seis minutos, foi transmitido ao vivo e rapidamente se espalhou pelas redes sociais, gerando elogios e críticas. Muitos internautas classificaram o momento como “necessário” e “corajoso”, enquanto outros cobraram uma postura mais crítica em relação aos governos estadual e federal.

O comunicador também refletiu sobre o papel do Estado na origem da violência. “Quando o Estado se ausenta, outro poder ocupa esse lugar. E é justamente isso que precisa mudar. Precisamos reconstruir o sentido de pertencimento, fazer com que as crianças se sintam parte de algo maior, de um Rio de Janeiro e de um Brasil em que o crime não seja horizonte.”

Luciano fez questão de lembrar que a maioria da população carioca é também vítima dessa realidade. “A enorme maioria das pessoas que vivem nessas comunidades não compactuam com o crime. São reféns da violência. E quem lucra com ela não está lá, está muito acima disso.”

Em um dos momentos mais pessoais da fala, o apresentador contou que conversou com os filhos sobre o tema. “Eles me disseram durante o jantar: ‘Pai, é impossível resolver isso’. E eu discordei. Mostrei que em lugares parecidos com o nosso isso já aconteceu. Medellín, na Colômbia, era a cidade mais violenta do mundo nos anos 90. Hoje é exemplo de transformação. O mesmo vale para Nova York, que já foi sinônimo de insegurança e hoje é uma das mais seguras e visitadas do planeta.”

Por fim, Huck se dirigiu às famílias dos policiais mortos na operação. “Eu nunca escondi meu apoio à boa polícia, aquela formada por profissionais bem treinados, respeitados e comprometidos. Esses quatro policiais saíram de casa para trabalhar e não voltaram. Essa também é uma dor imensa.”

Encerrando o programa sob aplausos, o apresentador resumiu o sentimento que ecoou pelo país: “O Brasil quer paz, quer segurança, e quer parar de se despedir de seus filhos — sejam eles vítimas ou heróis.”

 

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: