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Após megaoperação no RJ, chega notícia para Castro

Uma nova pesquisa do Datafolha, divulgada neste sábado (1º de novembro), trouxe números que animaram o Palácio Guanabara: 40% dos moradores do estado do Rio de Janeiro avaliam o governo de Cláudio Castro (PL) como ótimo ou bom, enquanto 23% consideram regular. É um salto considerável se comparado ao cenário de 2022, quando apenas 31% aprovavam sua gestão e 25% a classificavam como regular.

O levantamento vem logo após uma das maiores operações policiais do ano, que movimentou os complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital. O tema da segurança pública — ponto central da imagem política de Castro — foi explorado na pesquisa, e os resultados mostram que o governador ainda tem força entre os eleitores fluminenses, apesar das polêmicas e críticas de setores de direitos humanos.

Segurança pública em destaque

Segundo o Datafolha, 37% dos entrevistados avaliam a gestão de Castro na segurança como ótima ou boa, 25% como regular e 37% como ruim ou péssima. Os números revelam uma divisão clara entre os que veem nas operações um avanço contra o crime e os que criticam os excessos das ações policiais.

A megaoperação da última semana, que deixou um rastro de mortes e apreensões, virou manchete nacional. Foram mais de 3 mil agentes mobilizados, helicópteros, blindados e longos confrontos que paralisaram o tráfego em algumas vias do subúrbio. Mesmo assim, 48% dos entrevistados consideraram a ação “muito bem executada”, 21% avaliaram como regular e 24% acharam “mal executada”.

Além disso, 57% disseram acreditar que a operação foi um sucesso, enquanto 39% discordam totalmente dessa afirmação. Os dados indicam que, mesmo diante de uma realidade marcada por violência e medo, parte significativa da população fluminense apoia a linha dura adotada pelo governador.

Repercussão e cenário político

A pesquisa, feita por telefone entre 30 e 31 de outubro, ouviu 626 pessoas com 16 anos ou mais, na capital e na região metropolitana do Rio. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos — o suficiente para mostrar estabilidade, mas também margem de crescimento para o governo.

Cláudio Castro, que tem apostado em discursos firmes sobre segurança e infraestrutura, tenta equilibrar o discurso entre combate ao crime e proteção social. Fontes próximas ao governo afirmam que ele deve reforçar a imagem de “gestor de resultados” e, nos bastidores, já articula alianças com lideranças evangélicas e prefeitos do interior para fortalecer sua base.

Enquanto isso, críticos alertam para o risco de repetir erros do passado. Organizações civis têm cobrado mais transparência e políticas preventivas, lembrando que as operações policiais no Rio frequentemente resultam em mortes de inocentes. A Defensoria Pública do Estado anunciou que acompanha de perto os desdobramentos da ação e que deve solicitar novas informações ao governo.

Um retrato do Rio dividido

O resultado do Datafolha mostra um estado dividido entre o apoio a uma política de segurança de confronto e o cansaço com a violência diária. Para alguns, Castro é o primeiro governador em anos a “mostrar serviço”; para outros, ele simboliza o endurecimento que perpetua um ciclo de sangue e medo nas comunidades.

De qualquer forma, a pesquisa indica que o governador sai fortalecido neste momento. E, no Rio — onde a linha entre ordem e caos é sempre tênue —, cada ponto percentual de aprovação pode significar muito mais do que um simples número numa tabela.

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