William Bonner se despede do Jornal Nacional com último “boa noite” emocionante após 29 anos

William Bonner entrou na Rede Globo em 1986 como repórter de rua, cobrindo fatos policiais e política em São Paulo. Dois anos depois, já no Rio de Janeiro, tornou-se editor-chefe do Jornal Hoje. Sua ascensão foi rápida: em 1989, estreou como âncora do Jornal da Globo e, em 1996, assumiu o Jornal Nacional ao lado de Cid Moreira. A partir de então, dividiu a bancada com nomes como Fátima Bernardes, Patrícia Poeta e, desde 2014, Renata Vasconcellos. Em quase três décadas, apresentou mais de 7 mil edições, tornando-se o rosto mais duradouro do telejornalismo brasileiro.
Bonner consolidou um estilo marcado por precisão, neutralidade e autoridade. Sob seu comando, o Jornal Nacional enfrentou crises nacionais — impeachment de Collor, atentados de 11 de setembro, pandemias — e inovações tecnológicas, como a transmissão em HD e a integração com redes sociais. Ele também rompeu barreiras: foi o primeiro âncora a ler tuítes ao vivo e a corrigir erros em tempo real. Fora da bancada, editou o Jornal Nacional por 23 anos, moldando a linha editorial do principal telejornal do país.
A decisão de deixar o JN foi anunciada em 2024, após cinco anos de planejamento. Aos 61 anos, Bonner citou a pandemia como divisor de águas: “Percebi que a vida é curta demais para não estar com quem amo”. A saída, porém, não significa aposentadoria. Em 2026, ele assume o Globo Repórter, programa que já apresentou eventualmente. A transição foi cuidadosa: César Tralli, seu sucessor, foi preparado ao longo de meses, com entradas graduais na bancada.
Na noite de 31 de outubro de 2025, o estúdio do Jornal Nacional viveu um raro momento de emoção coletiva. Após Renata Vasconcellos e Tralli darem seus “boa noites”, Bonner encerrou: “Esse é o meu último boa noite pelo Jornal Nacional. A gente se vê. Muito obrigado”. Aplausos da redação, abraços da equipe e a filha de Tralli agarrada à perna do veterano completaram a cena. O vídeo viralizou em minutos, com mais de 20 milhões de visualizações nas redes.
O “boa noite” de Bonner tornou-se patrimônio cultural. Marcas como Nescafé e Brahma criaram comerciais em homenagem, e o X registrou picos de menções com a hashtag #OBomNoite. A frase, dita por 29 anos, simbolizava estabilidade em noites turbulentas. Pesquisas de audiência mostram que 72% dos telespectadores associam o JN ao rosto de Bonner — mais do que a qualquer outro apresentador na história da TV brasileira.
O legado de Bonner transcende a bancada. Ele deixa um Jornal Nacional mais conectado, transparente e humano, além de um padrão de profissionalismo que Tralli agora carrega. O “boa noite” pode ter sido o último, mas a voz firme, o olhar direto e a postura ética permanecem como referência para o jornalismo brasileiro. A partir de 2026, será no Globo Repórter que ouviremos Bonner novamente — mas nunca será a mesma coisa.



