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Era isso que Japinha do CV ostentava nas redes sociais antes de perder a vida

A terça-feira, 28 de outubro, ficará marcada na história recente do Rio de Janeiro como um dos dias mais sangrentos já registrados em operações policiais. Em meio à megaoperação que tomou conta dos complexos do Alemão e da Penha, uma das figuras que mais chamou atenção foi a de Penélope, conhecida nas redes sociais como Japinha do CV. A jovem, apontada pela polícia como uma das principais combatentes do Comando Vermelho, acabou morta após um intenso confronto com as forças de segurança.

Penélope era um rosto conhecido nas redes — não por dublagens ou danças virais, mas por exibir, sem pudor algum, o poder que ostentava dentro do crime. Em vídeos e fotos, aparecia segurando armas de grosso calibre, usando coletes táticos, roupas camufladas e, muitas vezes, cercada por outros homens armados. Essa rotina de ostentação digital se tornou uma espécie de vitrine da sua vida dentro da facção.

De acordo com a Polícia Civil, a jovem tinha um papel ativo e de confiança na hierarquia da organização. Ela atuava diretamente na defesa dos pontos de venda de drogas e também nas rotas de fuga usadas pelos criminosos para escapar das incursões policiais. Fontes da investigação afirmam que Penélope já havia sido monitorada em outras operações, mas sempre conseguia escapar. Desta vez, não teve o mesmo destino.

Durante o confronto, segundo relatos oficiais, Penélope foi atingida por um disparo de fuzil no rosto, após resistir a uma abordagem. Seu corpo foi encontrado próximo a um dos principais acessos da comunidade, ainda com uniforme militar e os equipamentos usados por integrantes armados. A cena foi descrita por moradores como tensa e caótica — tiros cruzando os becos e helicópteros sobrevoando baixo, numa imagem que lembrava uma verdadeira zona de guerra.

A operação, considerada uma das mais letais da história do país, deixou 121 mortos, entre eles quatro policiais. Além disso, 113 pessoas foram presas, incluindo 33 foragidos de outros estados e 10 menores de idade. O balanço final impressiona: 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver e uma grande quantidade de drogas foram apreendidos. Para se ter uma ideia da dimensão, 2,5 mil agentes participaram da ação, entre policiais civis, militares e federais, com apoio de blindados e aeronaves.

Nas redes sociais, o nome “Japinha do CV” rapidamente entrou para os assuntos mais comentados do X (antigo Twitter). Enquanto alguns lamentavam a morte da jovem, outros questionavam como alguém tão novo escolheu um caminho tão violento. Houve quem lembrasse que Penélope, antes de se envolver com o crime, teria trabalhado em salões de beleza e mostrado vontade de “mudar de vida”, mas acabou sendo atraída pela promessa de status e dinheiro fácil.

A tragédia reacende o debate sobre o poder das facções dentro das comunidades e a influência das redes sociais na romantização do crime. Enquanto o governo do estado defende a operação como um “duro golpe contra o tráfico”, defensores de direitos humanos apontam o alto número de mortes como sinal de falha estrutural.

Entre aplausos e críticas, o nome de Penélope — a Japinha do CV — se tornou símbolo de uma geração que vive entre a exposição digital e o confronto armado. Uma história que, embora tenha acabado em tragédia, revela o quanto as fronteiras entre fama, poder e violência continuam perigosamente próximas no Rio de Janeiro.

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