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Quem é “Mata Rindo”? Traficante morto em confronto com a polícia do RJ

Lucas Gabriel Conceição, mais conhecido pelo apelido Mata Rindo, era um jovem natural de Chapadinha, no interior do Maranhão, que deixou sua cidade natal após envolver-se em crimes graves. Fugindo da justiça local, ele migrou para o Rio de Janeiro, onde rapidamente se integrou ao Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país. No Complexo da Penha e no Complexo do Alemão, na Zona Norte carioca, Mata Rindo atuava em posições estratégicas de contenção, vigiando acessos, protegendo pontos de venda de drogas e alertando comparsas sobre a aproximação de policiais.

Nas redes sociais, ele se apresentava como Luca ou Bé, exibindo fotos armado com fuzis, ostentando joias e fazendo gestos característicos do crime organizado. Seu apelido, Mata Rindo, refletia o perfil frio e impiedoso comum entre membros de facções que cometem atos violentos sem demonstrar remorso. A expressão, aliás, não é exclusiva dele: já foi usada por outros traficantes mortos em confrontos anteriores no Rio, o que às vezes gera confusão em reportagens.

Tudo mudou em 28 de outubro de 2025, quando uma megaoperação policial batizada de Contenção foi deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão. Cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar cercaram as comunidades, desencadeando intensos tiroteios que duraram horas, especialmente nas áreas de mata da Serra da Misericórdia. Ao final, 121 pessoas foram mortas, tornando a ação a mais letal da história do estado. Mata Rindo estava entre os corpos identificados, vítima dos confrontos com as forças de segurança.

A operação resultou ainda em 113 prisões e na apreensão de 118 armas, sendo 91 fuzis, além de grande quantidade de drogas e munições. Moradores relataram que dezenas de corpos foram removidos por comparsas durante a noite, o que dificultou a contagem inicial das vítimas. A família de Mata Rindo, no Maranhão, criou uma vaquinha online para arrecadar fundos e trazer o corpo de volta à cidade natal, enfrentando os altos custos do translado interestadual.

A letalidade da operação reacendeu debates sobre o modelo de confronto armado nas favelas cariocas. Organismos internacionais, como a ONU, e instituições locais, como a Defensoria Pública, criticaram a abordagem, apontando violações de direitos humanos. O Supremo Tribunal Federal sinalizou a possibilidade de reativar a ADPF das Favelas, medida que busca impor limites às ações policiais em comunidades. Enquanto isso, o Comando Vermelho prometeu retaliações, e a violência no Rio segue em ciclo aparentemente interminável.

Mata Rindo, com sua trajetória de crime interestadual e fim trágico em uma guerra sem vencedores, tornou-se mais um símbolo da complexa realidade das facções, da migração criminosa e das operações policiais de alta intensidade que marcam o cotidiano das periferias urbanas brasileiras.

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