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Últimas palavras de Japinha do CV para amiga antes de morrer em megaoperação são reveladas

Dois dias após a morte de Penélope, conhecida nas comunidades do Rio de Janeiro como Japinha do CV, novas informações vieram à tona e ajudam a montar o cenário dos seus últimos minutos de vida. A jovem, que atuava na linha de frente do Comando Vermelho, foi morta com um tiro de fuzil na cabeça durante um confronto entre a facção e forças de segurança pública, na terça-feira, 28 de outubro, nos complexos do Alemão e da Penha.

O clima era de guerra. Helicópteros sobrevoando baixo, sirenes ecoando entre os becos e uma sensação constante de medo entre os moradores. Em meio a esse caos, Japinha ainda encontrou tempo para mandar uma última mensagem a uma amiga pelo WhatsApp. Um simples “oi”, seguido de uma chamada de vídeo de cerca de três minutos. Na sequência, escreveu: “Oi. Não vamos ficar aqui não”. A amiga, sem entender a gravidade da situação, respondeu perguntando: “Acabou a operação já?”.

Do outro lado da tela, a resposta veio seca e direta: “Não. Eles tão aqui em cima de nós. A bala tá comendo. Helicóptero tá aqui rodando”. A tensão é quase palpável nas palavras. A amiga, assustada, implora: “Fica onde você tá, para de maluquice. Tá seguro aí?”. Mas não houve mais tempo para conselhos.

Minutos depois, Japinha do CV foi atingida fatalmente por um disparo de fuzil. Seu corpo foi encontrado próximo a um dos acessos principais da comunidade, após horas de intenso tiroteio. Ela usava roupas camufladas, colete tático e portava carregadores extras, sinal de que estava preparada para o confronto — não como vítima, mas como combatente.

Segundo relatos de moradores, a operação começou nas primeiras horas da manhã e se estendeu por quase todo o dia. O barulho das armas pesadas dominou a paisagem sonora do Alemão e da Penha, regiões que abrigam mais de 200 mil pessoas e convivem com esse tipo de operação quase como parte da rotina.

Penélope, que tinha pouco mais de 20 anos, era vista como uma espécie de “símbolo” dentro da facção — uma das poucas mulheres com papel ativo na linha de frente. Para alguns, era admirada pela coragem; para outros, representava o retrato cruel de uma juventude engolida pelo crime. Sua morte reacendeu o debate sobre o aliciamento de mulheres por facções e o papel que elas vêm assumindo dentro das estruturas do tráfico.

Enquanto isso, nas redes sociais, circularam vídeos e áudios atribuídos a ela, mostrando uma figura aparentemente destemida, sorridente, mas também marcada por uma vida cercada de riscos e escolhas perigosas. “A bala tá comendo” — a frase dita por ela na mensagem — acabou se tornando um símbolo do seu fim: uma mistura de desespero e resignação.

A operação que culminou em sua morte faz parte de uma série de ações recentes das forças de segurança do Rio para enfraquecer o Comando Vermelho, após semanas de confrontos intensos que deixaram dezenas de mortos. Apesar disso, a realidade é que a guerra nas favelas cariocas continua, e a história de Japinha do CV é apenas mais um capítulo trágico de uma narrativa que parece não ter fim.

No fim das contas, suas últimas palavras ecoam como um retrato fiel do cotidiano nas comunidades: medo, violência e a sensação de que, ali, a vida pode acabar a qualquer instante.

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