Guerra no RJ: número de pessoas atingidas já ultrapassam 705 em confronto com a policia

A violência armada em operações policiais na Região Metropolitana do Rio de Janeiro segue preocupando autoridades e moradores. Em apenas dez meses, 123 agentes de segurança foram baleados durante confrontos em municípios como Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, que monitora a criminalidade no estado. Entre os atingidos estão 86 policiais militares — 41 mortos e 45 feridos — e 20 policiais civis, sendo oito mortos e 12 feridos.
Os números refletem o alto risco enfrentado diariamente por quem atua no combate ao crime organizado, especialmente em operações que envolvem facções armadas como o Comando Vermelho (CV). O índice de confrontos só aumenta a sensação de insegurança nas comunidades, onde civis também acabam sendo atingidos. Em 2025, já foram registrados 98 casos de balas perdidas, com 21 mortes e 77 feridos. Destes, 54 ocorreram durante operações policiais, resultando em 11 mortes e 43 feridos, evidenciando a gravidade das ações mesmo quando direcionadas a criminosos.
Nesta terça-feira (28), uma megaoperação mobilizou Polícia Civil e Polícia Militar nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, com o objetivo de prender líderes do Comando Vermelho e conter o avanço territorial da facção. Imagens obtidas pela imprensa mostram um verdadeiro cenário de guerra: chamas, fumaça densa e rajadas de tiros intensas, enquanto moradores registravam a ação de dentro de suas casas.
Até o fim da manhã, 22 pessoas haviam morrido e outras 10 ficaram feridas, incluindo dois policiais civis mortos e sete agentes feridos. Entre as vítimas de balas perdidas estão um homem em situação de rua atingido nas costas, uma mulher baleada enquanto se exercitava em uma academia e um homem ferido dentro de um ferro-velho. Esses números reforçam a preocupação com a segurança de civis em áreas densamente ocupadas por criminosos.
No total, com a nova contagem, a Grande Rio acumula 798 tiroteios decorrentes de operações policiais, nos quais 705 pessoas foram baleadas, sendo 309 mortos e 396 feridos. Os dados evidenciam que, apesar do esforço das forças de segurança, o enfrentamento direto com facções armadas continua gerando elevado índice de mortes e ferimentos, tanto entre agentes quanto entre civis.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, já alertou para a dificuldade de combater o crime organizado isoladamente. Ele destacou que as áreas ocupadas pelo tráfico somam milhões de metros quadrados de território irregular, com becos estreitos, casas irregulares e população vulnerável, o que torna a atuação policial ainda mais complexa e perigosa.
A megaoperação desta terça-feira marca mais uma tentativa de conter a criminalidade na Zona Norte, mas também evidencia os desafios enfrentados pelas autoridades. O equilíbrio entre reduzir o domínio das facções e proteger civis e agentes permanece uma das questões mais delicadas para a segurança pública na capital fluminense.



