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Vídeo: Imagens mostram “campo de guerra” em mega operação contra o CV no RJ

Um cenário de intenso conflito marcou a manhã desta terça-feira (28) no Complexo da Penha e no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, durante uma megaoperação das forças de segurança estaduais. Imagens registradas por moradores mostram rajadas de tiros que lembram uma verdadeira guerra urbana, enquanto colunas de fumaça se espalhavam pelo território dominado por criminosos.

Em um dos vídeos obtidos, quase 200 disparos foram feitos em apenas um minuto, enquanto traficantes reagiam à presença policial com barricadas em chamas. Pelo menos cinco focos de incêndio foram identificados nas gravações, e criminosos ainda chegaram a lançar bombas usando drones contra policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), força de elite da Polícia Civil. Até o momento, não há confirmação de vítimas decorrentes desses ataques com drones.
 

Segundo balanço parcial da operação, 20 pessoas morreram e 81 suspeitos foram presos. Entre os mortos, há 18 criminosos e 2 policiais, enquanto nove agentes de segurança ficaram feridos, dois deles em estado grave. Além disso, três civis foram atingidos por balas perdidas: um homem em situação de rua, levado ao Hospital Getúlio Vargas, uma mulher ferida em uma academia que já recebeu alta, e outro homem atingido em um ferro-velho. A polícia também apreendeu 31 fuzis, 2 pistolas e 9 motocicletas.

A operação, chamada Operação Contenção, é uma ação contínua do governo do estado voltada ao combate do Comando Vermelho (CV), facção criminosa que domina áreas estratégicas da Zona Norte. Com o número de vítimas e a dimensão do confronto, a ação já é considerada a terceira mais letal da história do Rio de Janeiro. Para cumprir 100 mandados de prisão, foram mobilizados cerca de 2.500 agentes, incluindo policiais militares e civis.

Drones utilizados pelas forças de segurança também captaram imagens de traficantes tentando fugir por trilhas clandestinas na mata da Vila Cruzeiro, utilizando roupas camufladas e portando fuzis. Dois dos mortos eram naturais da Bahia e outro do Espírito Santo, segundo a polícia, evidenciando a presença de criminosos de fora do estado.

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, destacou que o estado sozinho não consegue enfrentar o crime organizado nessas regiões e pediu apoio mais efetivo do governo federal e de outras esferas de poder. Ele afirmou que a área coberta pelos complexos representa 9 milhões de metros quadrados de desordem urbana, com becos intransitáveis, casas irregulares e controle territorial exercido por facções, afetando diretamente cerca de 280 mil moradores.

A megaoperação reforça o esforço do estado para retomar o controle das comunidades e reduzir a presença do tráfico, mas evidencia a complexidade de atuar em territórios densamente ocupados e controlados por criminosos armados, onde a violência pode impactar diretamente civis, policiais e toda a comunidade local.

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