Foi isso que Trump disse sobre Bolsonaro em reunião com Lula

Kuala Lumpur, 26 de outubro — O cenário diplomático internacional ganhou novos contornos neste domingo, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu por cerca de 45 minutos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Malásia. O encontro, marcado por um tom pragmático e surpreendentemente cordial, chamou atenção não apenas pela pauta comercial entre os dois países, mas também pelas declarações de Trump em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O republicano, conhecido por sua personalidade imprevisível, elogiou o brasileiro e afirmou “sentir-se mal” com os recentes desdobramentos políticos enfrentados por ele.
“Eu sempre gostei dele, eu sempre gostei dele… Eu me sinto muito mal sobre o que ocorreu com ele. Eu sempre pensei que ele era um cara direito, mas ele tem passado por várias coisas”, disse Trump, em tom de solidariedade. A fala rapidamente reverberou entre os jornalistas e diplomatas presentes, reacendendo o debate sobre a relação pessoal entre Trump e Bolsonaro — uma parceria que, durante seus respectivos mandatos, foi marcada por afinidades ideológicas e elogios mútuos.
Questionado por uma repórter se a situação de Bolsonaro poderia influenciar as negociações comerciais com o Brasil, Trump foi categórico e, como de costume, enigmático. “Não é da sua conta”, respondeu, evitando associar o futuro da relação bilateral à figura do ex-presidente brasileiro. A resposta direta, porém, deixou clara a intenção do norte-americano de não misturar questões pessoais com os interesses estratégicos de sua administração.
Apesar das diferenças políticas entre Lula e Trump, ambos demonstraram disposição em reduzir tensões e retomar o diálogo econômico. O encontro marcou o primeiro passo de uma possível reaproximação entre Brasília e Washington após meses de incertezas, provocadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O republicano afirmou acreditar que parte das tarifas pode ser revista já nas próximas semanas, sinalizando abertura para negociações mais amplas. “Acho que vamos acabar tendo um relacionamento muito bom”, disse, reforçando o tom conciliador.
Lula, por sua vez, destacou que não existem impasses intransponíveis entre os dois países e que a cooperação econômica é prioridade. “Não há motivo para desavenças com os Estados Unidos. Temos divergências, mas também interesses comuns que precisam ser respeitados”, declarou o presidente brasileiro. A fala foi vista por analistas como um gesto de pragmatismo, especialmente diante da necessidade de ampliar o mercado externo e atrair investimentos em um momento de recuperação econômica global.
Na reunião, Lula solicitou formalmente a suspensão temporária das tarifas enquanto as negociações avançam. O pedido foi bem recebido pela equipe norte-americana, que se mostrou aberta a discutir ajustes específicos para setores estratégicos, como aço, alumínio e agronegócio. Ainda neste domingo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, se reunirão para avaliar os termos de um acordo preliminar que pode reduzir ou até eliminar as taxas sobre determinados produtos brasileiros.
A reunião em Kuala Lumpur encerra uma semana intensa na diplomacia brasileira e pode representar um novo capítulo nas relações EUA-Brasil. A aproximação entre Lula e Trump, dois líderes com estilos políticos tão distintos, reforça a ideia de que os interesses econômicos seguem sendo o fio condutor da política internacional. Se por um lado Trump busca fortalecer sua imagem de negociador firme, por outro, Lula tenta consolidar o Brasil como um parceiro confiável no comércio global. O encontro, marcado por gestos simbólicos e declarações estratégicas, deixa claro que, em tempos de instabilidade, a diplomacia ainda é o principal caminho para construir pontes — mesmo entre adversários improváveis.



