Bispo gera polêmica ao criticar fiel por doação de ‘só’ US$ 1.235; veja o que se sabe

Um episódio ocorrido durante um culto da Igreja Perfecting, em Detroit, Michigan (EUA), gerou indignação nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o limite entre fé e pressão financeira dentro de instituições religiosas. O caso envolveu o bispo e líder da congregação, Marvin Winans, e uma fiel identificada como Roberta McCoy, que acabou exposta e constrangida diante dos demais membros após tentar realizar uma doação considerada insuficiente pelo líder religioso.
O episódio aconteceu no último domingo (19/10), durante um evento denominado “Dia de Doações”, organizado com o objetivo de arrecadar fundos para a conclusão da nova catedral da igreja — um projeto milionário de aproximadamente US$ 23 milhões, iniciado há mais de duas décadas e interrompido após a crise econômica de 2008. Segundo a coordenação da igreja, as obras foram retomadas recentemente, em agosto de 2024, e dependem de doações para avançar.
No culto, Winans teria solicitado que cada fiel doasse US$ 1.000 e se comprometesse a arrecadar mais US$ 1.000 junto a familiares, amigos ou contatos, totalizando US$ 2.000 por participante. Ao se dirigir ao altar, Roberta declarou publicamente sua contribuição: “Eu, Roberta McCoy, doo com fé e me uno à visão da Igreja Perfecting, semeando esta semente de US$ 1.000, mais US$ 235 para receber as bênçãos que virão.”
A oferta, no entanto, não foi recebida com entusiasmo pelo bispo. Durante a transmissão ao vivo do culto, Winans interrompeu a fiel e afirmou de forma ríspida: “Agora, são apenas US$ 1.200. Vocês não estão entendendo o que eu pedi. Não foi isso que eu falei para fazer.” A reação causou constrangimento imediato no templo. Visivelmente desconcertada, Roberta respondeu que trabalharia para conseguir o restante do valor solicitado.
O momento gerou murmúrios entre os presentes, especialmente quando o bispo pediu que se apresentassem apenas aqueles que conseguiriam contribuir com mais de US$ 2.000, reforçando a sensação de cobrança pública. Poucas horas depois, o vídeo do culto foi amplamente compartilhado nas redes sociais, provocando críticas intensas.
Usuários do X (antigo Twitter) acusaram Winans de ganância, abuso de autoridade religiosa e manipulação emocional. Comentários compararam a situação a esquemas de pirâmide, afirmando que a fé estaria sendo usada como pretexto para obtenção de recursos. “Religião organizada virou esquema Ponzi. Ela deveria ter colocado o dinheiro na poupança do neto”, escreveu um internauta.
Diante da repercussão, Roberta tentou minimizar o incidente, dizendo que “o pastor não a repreendeu” e que apenas desejava “limpar o nome do líder espiritual”, embora as imagens tenham sugerido o contrário.
Winans, por sua vez, afirmou à emissora ABC7 Detroit que apenas buscava “organizar o momento das doações” para evitar tumulto, negando qualquer intenção de humilhar a fiel.
O caso reacende um debate profundo: até que ponto pedidos de doação cruzam a linha do voluntário para o coercitivo? E, principalmente, quem realmente se beneficia quando a fé se transforma em cobrança pública?



