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Professor espancado por pai de aluna quebra o silêncio e revela o que o salvou durante agressão brutal

Um caso de violência em uma escola pública do Distrito Federal causou grande comoção e revolta entre alunos, professores e pais. Na manhã da última segunda-feira, um professor foi brutalmente espancado dentro do ambiente escolar pelo pai de uma aluna, após pedir que a estudante parasse de usar o celular durante a aula. O episódio, registrado por câmeras de segurança, mostra o momento em que o homem invade o espaço da coordenação e desfere uma sequência de nove socos contra o educador, que tenta se proteger sem reagir. A cena, chocante e angustiante, rapidamente se espalhou pelas redes sociais, levantando debates sobre a falta de respeito e segurança nas escolas brasileiras.

O agressor foi identificado como Thiago Lênin Sousa, que teria reagido de forma violenta após ouvir da filha que o professor a havia repreendido de maneira grosseira. Tomado pela fúria, o homem invadiu o colégio e atacou o educador sem ouvir sua versão dos fatos. Segundo testemunhas, a própria filha, desesperada, tentou impedir o pai de continuar a agressão e chegou a aplicar um “mata-leão” para contê-lo, numa tentativa desesperada de pôr fim à cena de violência. A atitude da jovem impressionou os presentes, que relataram ter ficado em estado de choque com a brutalidade do ocorrido.

Em entrevista concedida ao portal LeoDias, o professor, ainda visivelmente abalado, fez um desabafo sobre o ataque que sofreu. Ele contou que jamais imaginou passar por uma situação tão humilhante e perigosa em seus 25 anos de profissão. “Minha sorte é que ele não estava armado, caso contrário, não estaria aqui para te contar”, declarou o educador, emocionado. Ele afirmou que ainda tenta compreender o que levou o agressor a perder o controle e que está profundamente entristecido com o que viveu. Segundo ele, o episódio representa não apenas uma agressão física, mas também um ataque à dignidade de todos os professores.

O docente explicou que sempre procurou tratar seus alunos com respeito e que a situação que deu origem ao conflito foi simples: ele apenas pediu que a estudante guardasse o celular para que pudesse prestar atenção na aula. O professor reforçou que não houve ofensa, apenas uma advertência pedagógica, e que se surpreendeu ao ver o pai invadindo o local com tamanha violência. Ele relatou que, no momento da agressão, temeu pela própria vida, sentindo-se completamente indefeso diante da fúria do homem. Ainda machucado e emocionalmente fragilizado, o educador afirmou que pretende se afastar das atividades por um tempo para cuidar de sua saúde mental e física.

As imagens de segurança mostram o momento exato em que Thiago Lênin entra na coordenação e parte para cima do professor, que tenta recuar, mas é encurralado e golpeado diversas vezes na cabeça. A agressão só cessa quando a filha intervém, agarrando o pai por trás e tentando imobilizá-lo. Outros funcionários da escola correm para ajudar, mas o ambiente já estava tomado pelo pânico. O vídeo rapidamente viralizou nas redes sociais, provocando indignação e uma onda de apoio ao professor, que recebeu inúmeras mensagens de solidariedade de colegas e ex-alunos.

Após o ataque, Thiago foi detido e levado para a 1ª Delegacia de Polícia da Asa Sul, onde prestou depoimento. Ele confessou ter agredido o professor, mas negou qualquer ameaça além dos socos. O homem alegou que agiu “no calor do momento” após a filha dizer que havia sido insultada em sala de aula. No entanto, segundo relatos de testemunhas e da própria direção da escola, não há indícios de que o professor tenha proferido qualquer ofensa. A polícia o indiciou por lesão corporal, injúria e desacato, e o caso segue sob investigação.

O episódio reacendeu o debate sobre a falta de segurança nas instituições de ensino e o crescente desrespeito enfrentado por professores em sala de aula. Entidades da educação e sindicatos manifestaram repúdio à agressão e pediram medidas urgentes para proteger os profissionais da área. Muitos docentes relataram já ter sofrido ameaças verbais ou até agressões físicas, e destacaram que o caso é reflexo de uma crise mais ampla, em que o papel do professor vem sendo desvalorizado e a autoridade escolar constantemente questionada.

O professor vítima do ataque declarou que pretende denunciar o caso às instâncias superiores e buscar apoio psicológico para lidar com o trauma. Ele afirmou que ainda sente medo de retornar à escola, mas que não pretende abandonar a profissão. Para ele, o amor pelo ensino e pelos alunos é mais forte que o medo, embora reconheça que a recuperação emocional levará tempo. O educador ressaltou que o respeito e o diálogo são fundamentais para restaurar a confiança entre professores, pais e alunos.

A comunidade escolar, em solidariedade ao docente, organizou uma manifestação pedindo mais segurança e respeito aos profissionais da educação. Cartazes com frases como “Professor merece respeito” e “Escola não é lugar de violência” foram espalhados pelos corredores e portões. Pais, alunos e colegas de trabalho se uniram para condenar a agressão e exigir justiça. O caso comoveu a todos e reforçou a urgência de políticas públicas voltadas para o combate à violência nas escolas.

Encerrando seu depoimento, o professor afirmou que, apesar de tudo, sente gratidão por estar vivo e por ter recebido tanto apoio. Ele reconheceu que o episódio deixou marcas profundas, mas também revelou a importância de discutir o tema com seriedade. “Espero que o que aconteceu comigo sirva de alerta. Nenhum professor deve sair de casa com medo de ser agredido por exercer sua função”, declarou. Com a voz embargada, ele concluiu dizendo que seu maior desejo é que a escola volte a ser um espaço de aprendizado, respeito e segurança — um lugar onde educar não signifique colocar a própria vida em risco.

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