Jardim de infância é atacado com 400 drones e várias crianças perdem suas vidas

A madrugada desta quarta-feira (22) marcou um dos bombardeios mais intensos desde o início da guerra na Ucrânia. De acordo com as autoridades de Kiev, a Rússia lançou mais de 400 mísseis e drones kamikazes contra diversas regiões do país, deixando pelo menos sete mortos — entre eles duas crianças — e dezenas de feridos.
O ataque ocorreu em diferentes pontos do território ucraniano, atingindo não apenas alvos militares, mas também áreas civis e estruturas essenciais. Em Kharkiv, segunda maior cidade do país, um jardim de infância foi parcialmente destruído após ser atingido por estilhaços de um míssil. Um homem de 40 anos ficou gravemente ferido, e outras sete pessoas precisaram de atendimento médico. “Todas as crianças foram retiradas com vida, mas cinco estão em choque e estão sendo acompanhadas por psicólogos”, informou o presidente Volodymyr Zelensky em comunicado.
As imagens que circulam nas redes sociais mostram ruas cobertas de destroços, janelas quebradas e escolas transformadas em escombros. Em Kiev, explosões foram ouvidas por volta das 3h da manhã, seguidas de blecautes que deixaram milhares de residências sem energia elétrica. Na região de Odessa, o sistema de abastecimento de água foi interrompido após danos a uma estação de bombeamento.
De acordo com o comando militar ucraniano, a ofensiva russa mobilizou 405 drones e 28 mísseis, sendo que 333 drones e 16 mísseis foram interceptados pelas defesas aéreas. Mesmo assim, o impacto foi devastador. As cidades de Sumy, Chernigov, Dnipro, Quirivogrado, Poltava, Veneza, Zaporizhzhia e Chercássi também registraram ataques simultâneos.
O momento do bombardeio coincidiu com a suspensão inesperada de um possível encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, que vinha sendo articulado por diplomatas americanos e russos. O objetivo seria discutir um eventual cessar-fogo, mas, após o ataque, as conversas foram “adiadas indefinidamente”, segundo fontes da Casa Branca.
Zelensky classificou a nova ofensiva como “uma afronta brutal à busca pela paz”. Em pronunciamento televisionado, o presidente ucraniano pediu mais firmeza da comunidade internacional e novas sanções contra Moscou. “Enquanto o mundo discute diplomacia, o Kremlin responde com mísseis. Não há justificativa para atacar escolas, hospitais e lares”, afirmou.
A Rússia, por sua vez, alegou que o alvo dos ataques eram “instalações de infraestrutura militar e logística”, mas os relatos de destruição em zonas residenciais contradizem a versão oficial. Segundo o Ministério do Interior da Ucrânia, mais de 30 edifícios civis foram danificados, incluindo hospitais e centros comunitários.
Em várias cidades, equipes de resgate continuam vasculhando escombros em busca de desaparecidos. Em Kiev, uma mãe foi retirada viva dos destroços após sete horas de buscas. “Ela só perguntava pela filha”, relatou um bombeiro que participou da operação.
O ataque reacende o clima de tensão em meio à aproximação do inverno europeu, período em que os bombardeios costumam se intensificar devido à tentativa russa de enfraquecer o sistema energético ucraniano. Com as temperaturas despencando e os estoques de energia limitados, o país se prepara para meses ainda mais difíceis.
Enquanto isso, o mundo observa com preocupação mais um capítulo trágico de uma guerra que já ultrapassa dois anos e parece longe de chegar ao fim.



