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‘Tragédia’ Confirmadas as identidades dos sete mineiros mortos

As viagens em grupo com fins comerciais, comuns entre trabalhadores autônomos e pequenos comerciantes, são uma parte vital da economia em várias regiões do Brasil. No Nordeste, especialmente no polo de confecções de Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, essas excursões movimentam milhares de reais a cada semana, conectando cidades, fortalecendo o comércio e gerando oportunidades de renda. No entanto, o que deveria ser apenas mais uma viagem de retorno de negócios terminou em tragédia na noite da última sexta-feira (17), quando um ônibus de turismo tombou na BR-423, entre Paranatama e Saloá, no Agreste pernambucano.

O veículo transportava passageiros das cidades de Brumado, na Bahia, e do Norte de Minas Gerais. Segundo as autoridades, o grupo havia participado de uma excursão comercial para o polo de confecções e retornava para casa quando o motorista perdeu o controle da direção. O ônibus invadiu a contramão, colidiu contra rochas e, ao tentar voltar à pista, acabou batendo em um banco de areia, o que resultou no tombamento. O impacto foi devastador: sete passageiros mineiros morreram no local e dezenas de outros ficaram feridos.

As vítimas fatais foram identificadas como Maria da Glória Antunes Martins, José Aparecido Oliveira Filho, Luciene Augusta de Oliveira, Aldir Tintiliano Borges, Maria Adriana de Souza Borges, Maria Sueli Simões Nogueira e Sirlene Alves de Jesus Souza. De acordo com informações das autoridades locais, ao menos 17 feridos permanecem internados em hospitais da região. A chegada dos corpos de cinco das vítimas está prevista para esta segunda-feira (20), quando deverão ser velados em suas cidades de origem, sob forte comoção.

O Governo de Pernambuco afirmou que está em contato direto com os governos da Bahia e de Minas Gerais para garantir o apoio necessário às famílias das vítimas e acompanhamento aos feridos. “É uma tragédia que nos entristece profundamente. Estamos trabalhando para oferecer toda a assistência possível aos familiares e sobreviventes”, informou a gestão estadual em nota oficial. Diversas prefeituras, escolas e instituições locais também se manifestaram nas redes sociais, prestando solidariedade e lamentando as perdas.

O motorista do ônibus prestou depoimento à Polícia Rodoviária Federal (PRF) e afirmou que o acidente teria sido provocado por uma falha no sistema de freios do veículo. Segundo ele, a velocidade estava dentro dos limites permitidos para o trecho. A PRF, no entanto, segue investigando as causas do acidente, incluindo a hipótese de falha mecânica ou falta de manutenção adequada. O Instituto de Criminalística de Pernambuco também foi acionado para realizar perícia técnica no local e nos equipamentos do ônibus.

O acidente reacende uma discussão urgente sobre as condições de segurança nas estradas brasileiras, especialmente em rotas utilizadas por excursões comerciais e veículos de turismo. O trecho da BR-423 onde ocorreu o tombamento é conhecido por problemas de conservação e sinalização precária, além do intenso fluxo de caminhões e ônibus. Motoristas que trafegam pela região relatam que buracos e curvas mal sinalizadas representam risco constante, sobretudo durante a noite.

Enquanto familiares e amigos das vítimas buscam forças para lidar com a dor da perda, o episódio reforça a necessidade de medidas mais eficazes para prevenir tragédias semelhantes. Especialistas em transporte rodoviário defendem que empresas de turismo e órgãos fiscalizadores intensifiquem a inspeção dos veículos, o controle de jornada dos motoristas e a manutenção preventiva das frotas. A tragédia na BR-423 não é apenas mais uma estatística: ela expõe a fragilidade de um sistema que ainda falha em proteger aqueles que dependem da estrada para sustentar suas famílias.

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