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Mãe e filha estão entre as vítimas fatais do acidente de ônibus em PE

A noite da última sexta-feira (17) ficará marcada na memória de centenas de famílias do interior da Bahia e de Pernambuco. Um grave acidente ocorrido na BR-423, entre os municípios de Paranatama e Saloá, no Agreste pernambucano, deixou 17 mortos e dezenas de feridos. Entre as vítimas estão Sirlândia de Souza Machado, ex-secretária de Administração de Barra da Estiva (BA), e sua mãe, Marlene Medeiros de Souza, que viajavam juntas no ônibus de turismo que tombou em um trecho sinuoso conhecido como Serra dos Ventos.

O grupo havia saído de Brumado, no sudoeste baiano, com destino a Santa Cruz do Capibaribe (PE), um dos maiores polos têxteis do Nordeste. A viagem, que deveria ser de compras e confraternização, transformou-se em uma tragédia que abalou as comunidades por onde aquelas famílias construíram laços e histórias.

Luto em Barra da Estiva e cidades vizinhas

A notícia da morte de Sirlândia e Marlene causou profunda comoção em Barra da Estiva, onde a ex-secretária era figura respeitada e querida. Conhecida por seu trabalho dedicado na administração pública e por sua atuação em causas sociais, Sirlândia deixa uma marca de empatia e comprometimento.

A Prefeitura de Barra da Estiva decretou dois dias de luto oficial. Em nota, manifestou pesar e solidariedade aos familiares:

“Em sinal de respeito e solidariedade, a Prefeitura decreta dois dias de luto oficial, manifestando suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos.”

A dor ultrapassou os limites do município. Rio do Pires, Brumado e Aracatu também confirmaram que há moradores entre as vítimas e emitiram comunicados semelhantes. As redes sociais se encheram de mensagens de despedida, homenagens e orações. Em muitas delas, amigos descrevem Sirlândia como uma mulher “forte, generosa e iluminada”.

Investigações apontam superlotação e irregularidades

Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco, o ônibus envolvido no acidente transportava 40 passageiros, número superior ao que havia sido informado pela empresa responsável. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apurou ainda que o veículo possuía três listas de passageiros diferentes, o que tem dificultado a identificação completa das vítimas.

Autoridades acreditam que algumas pessoas tenham embarcado ao longo do trajeto como caronas ou passageiros adicionais, prática comum em excursões desse tipo, mas que aumenta o risco e dificulta o controle de segurança.

Os corpos foram levados para os Institutos de Medicina Legal (IML) de Caruaru e Recife, onde passam por reconhecimento. Familiares se deslocaram de várias cidades da Bahia em busca de notícias, enfrentando a dor e a incerteza de um processo demorado e burocrático.

Dor e solidariedade

Enquanto as autoridades investigam as causas do acidente, as comunidades afetadas se mobilizam para prestar apoio aos sobreviventes e familiares das vítimas. Igrejas têm realizado correntes de oração, e grupos locais organizam campanhas de arrecadação para custear traslados e funerais.

A tragédia expõe novamente a fragilidade do transporte rodoviário de excursão no país, marcado por fiscalizações falhas e excesso de confiança em estradas perigosas.

Em Barra da Estiva, o clima é de silêncio e saudade. Nas palavras de um morador, publicadas nas redes sociais, “Sirlândia e Dona Marlene partiram juntas, como sempre viveram: unidas pelo amor e pela fé”.

Um sentimento que, em meio à dor, se repete entre todos os que perderam alguém naquela noite triste da BR-423.

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