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Buscas por três amigas que estavam desaparecidas chegam ao fim

A pequena cidade de Anguera, situada no centro-norte da Bahia, vive dias de consternação. O que começou como um desaparecimento misterioso de três jovens no início de outubro terminou, nesta terça-feira (14), com a localização de três corpos em uma área de mata fechada no povoado de Guaribas, zona rural do município.

As vítimas foram identificadas como Letícia Araújo Rodrigues, de 22 anos, Carol Ferreira Rodrigues, de 21, e Rafaela Carvalho Silva, de apenas 15. Elas haviam desaparecido no último dia 6, quando informaram às famílias que iriam até a localidade do Roçado para buscar roupas. Depois disso, não deram mais notícias.

Durante uma semana, parentes e amigos se mobilizaram nas redes sociais, espalhando fotos, mensagens e pedidos de ajuda. A comoção foi tamanha que o caso ganhou repercussão estadual, impulsionando as investigações.

Uma busca difícil em meio à mata e ao silêncio

A região de Guaribas, onde os corpos foram encontrados, é conhecida pelas estradas precárias e pela ausência total de sinal de celular. O terreno acidentado e o mato alto dificultaram o acesso das equipes, que precisaram do apoio de cães farejadores e drones para vasculhar a área.

Segundo informações da Polícia Civil, a operação desta terça-feira contou com a participação de dezenas de agentes, que cumpriram mandados de prisão e busca e apreensão em diferentes localidades. O trabalho, iniciado nas primeiras horas da manhã, terminou com a localização das vítimas e a prisão de dois homens — um em Anguera e outro em Feira de Santana, cidade vizinha.

Com essas detenções, cinco pessoas já estão presas ou sob custódia. Entre elas, estão três mulheres e dois homens, apontados como suspeitos de envolvimento direto no desaparecimento e nas mortes.

Pistas e prisões que levaram à verdade

O ponto de virada na investigação ocorreu no dia 9 de outubro, quando dois suspeitos foram presos em flagrante. Na casa onde estavam, os policiais encontraram roupas queimadas, um celular danificado e peças de vestuário com manchas suspeitas de sangue.

Peritos do Departamento de Polícia Técnica identificaram o aparelho por meio do número IMEI, confirmando que ele pertencia a uma das jovens. A partir dessa descoberta, o cerco começou a se fechar. Dias depois, uma mulher de 19 anos teve a prisão preventiva decretada, suspeita de participar na ocultação dos corpos e de tentar eliminar provas.

Os corpos, encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), passarão por exames periciais que deverão confirmar oficialmente as identidades e ajudar na reconstituição dos fatos. As famílias foram informadas e aguardam com pesar os resultados.

Mistério e dor em uma cidade abalada

Em Anguera, o clima é de luto. Moradores se reuniram em frente à igreja local em vigília silenciosa, com velas e cartazes pedindo justiça. “Elas eram meninas de bem, queriam apenas viver”, desabafou uma moradora, amiga das famílias.

A Polícia Civil da Bahia continua analisando as evidências coletadas, enquanto tenta esclarecer a motivação do crime. As autoridades não descartam a possibilidade de o caso estar ligado a conflitos pessoais ou a algum tipo de disputa local.

O que permanece, por ora, é a tristeza de uma cidade inteira que se despede de três jovens promissoras e aguarda respostas. Em meio à dor, a esperança é de que a justiça não demore — e que a tragédia de Anguera não se repita.
 

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