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Odete forjou a própria morte em ‘Vale tudo’? Manuela Dias falou sobre o assunto e avisou: ‘Vou enganar vocês’

Poucos momentos da teledramaturgia brasileira marcaram tanto o imaginário popular quanto a morte de Odete Roitman em Vale Tudo, clássico de 1988 escrito por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. A cena da execução da vilã, considerada uma das maiores antagonistas da televisão, entrou para a história da TV e se tornou referência cultural até hoje. Com o remake da novela em 2025, escrito por Manuela Dias, a discussão sobre quem matou Odete voltou a incendiar as redes sociais, reacendendo tanto memórias quanto novas especulações.

Desde que a nova versão estreou, telespectadores já se dividem em apostas sobre a identidade do assassino. Os principais suspeitos seguem a tradição da primeira versão: Heleninha (Paolla Oliveira), Marco Aurélio (Alexandre Nero), César (Cauã Reymond), Fátima (Bella Campos) e Celina (Malu Galli). No entanto, a internet levantou novas hipóteses, inclusive a possibilidade de que Odete tenha forjado a própria morte, enganando a todos. A teoria, embora criativa, foi logo relativizada pela autora, que já havia deixado claro que certos pilares da narrativa permaneceriam intactos.

Em entrevista ao programa Estúdio i, da Globonews, ainda em março deste ano, Manuela Dias afirmou que, apesar de dar novos contornos à história, alguns marcos de Vale Tudo não poderiam ser alterados. Ela comparou com a adaptação de um filme clássico: “Se você vai adaptar o E.T., vai ter a cena dele cruzando a Lua de bicicleta”, disse. Nesse raciocínio, a vilania de Odete e sua morte são elementos indispensáveis para manter a essência da obra. Assim, quando perguntada se a personagem morreria novamente, Manuela foi taxativa: “Vai morrer. Tem coisas que a gente não vai abrir mão, porque não faz sentido”.

A fala da autora serve como um balde de água fria para os que defendem a hipótese de uma falsa morte. Ao mesmo tempo, Manuela gosta de jogar com as expectativas do público. Durante palestra na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em agosto, revelou que não contou a ninguém o desfecho do mistério, nem mesmo à própria terapeuta. Na ocasião, reforçou seu prazer em enganar o público com reviravoltas: “É que depois que Odete morrer, ainda acontecerão muitas outras coisas. Eu vou enganar vocês”. E ainda ironizou: “Sou uma serial killer. Eu sou conhecida como roteirista que mata personagens (risos). E é uma delícia, pra falar a verdade!”.

Essa postura cria uma relação interessante com os fãs. Ao mesmo tempo em que Manuela garante que a morte de Odete está confirmada, ela abre espaço para especulações sobre o como, o quando e, principalmente, o quem. A promessa de surpresas mantém viva a expectativa coletiva, repetindo o clima de ansiedade vivido em 1989, quando o Brasil parou para descobrir quem havia matado a vilã interpretada por Beatriz Segall.

As críticas ao desfecho também não passaram despercebidas. A autora reconhece que qualquer escolha pode gerar insatisfação: “Se eu não matar Odete, vocês ficarão decepcionados. Se eu matar, ficarão decepcionados também. Não tem saída”. Essa declaração sintetiza o peso do desafio de revisitar uma cena histórica, reverenciada por décadas. Afinal, não se trata apenas de uma trama policial dentro da novela, mas de um dos maiores símbolos da dramaturgia nacional.

O fascínio por Odete Roitman vai além da ficção. Recentemente, funcionários do Copacabana Palace, hotel que serviu de cenário para algumas cenas, relataram que até hoje hóspedes perguntam pela personagem, como se ela tivesse realmente existido. Esse cruzamento entre realidade e ficção mostra a força do mito criado em torno da vilã.

No remake, a personagem continua sendo central, tanto pela sua figura emblemática quanto pelo impacto de sua morte na engrenagem narrativa. A cena promete mobilizar novamente o público, agora em tempos de redes sociais, memes e enquetes online. Quem matou Odete Roitman em 2025? Será alguém da lista clássica de suspeitos ou uma surpresa preparada por Manuela Dias?

Independentemente da resposta, o certo é que Vale Tudo mais uma vez cumpre seu papel de gerar debate, unir gerações diante da televisão e reafirmar a potência da telenovela como espaço de cultura popular. Odete, viva ou morta, segue sendo um nome eterno na memória dos brasileiros.

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