Lindbergh pede à PF que inclua Flávio em investigação de fraude no INSS

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) encaminhou à Polícia Federal uma notícia-crime solicitando que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) seja incluído nas investigações da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas da Previdência Social. O pedido foi apresentado após reportagem do portal UOL revelar conteúdos de e-mails que sugerem uma vinculação entre uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro e o mesmo perfil de acesso bancário utilizado por um advogado que figura entre os investigados no caso.
No documento de 16 páginas, ao qual teve acesso a reportagem, o parlamentar pede que a Polícia Federal encaminhe ao ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal, solicitação formal para a inclusão do nome do senador entre os investigados. Além disso, requer a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro, de sua sociedade de advocacia, do advogado Willer Tomaz de Souza e de empresas ligadas a eles, entre elas a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings. O objetivo, segundo o deputado, é verificar se houve movimentações financeiras relacionadas ao esquema de descontos apurado.
A notícia-crime levanta suspeitas sobre possíveis crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção, além de apurar indícios de evasão de divisas, obstrução de investigação e eventuais irregularidades eleitorais. É importante destacar que todas essas são alegações apresentadas pelo autor do pedido, que dependem de investigação para serem confirmadas ou descartadas. Em publicação em redes sociais, Lindbergh Farias afirmou que Flávio Bolsonaro poderia ser um dos destinatários finais dos recursos supostamente desviados, mas essa afirmação ainda não possui comprovação oficial.
O documento também cita supostos deslocamentos e uso de imóveis. Segundo a notícia-crime, empresas ligadas a Willer Tomaz teriam custeado viagens em jatos executivos utilizadas por Flávio Bolsonaro e familiares em 2024 e 2025. Além disso, menciona o uso, durante a campanha eleitoral, de um apartamento em São Paulo que pertence a uma das empresas do advogado. O deputado pede que essas eventuais ligações sejam esclarecidas. Para aprofundar as apurações, solicita também cooperação internacional junto a autoridades de Portugal e, se necessário, dos Estados Unidos, com o intuito de identificar os responsáveis por empresas sediadas no exterior. O pedido inclui ainda a requisição de análise de dados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A reportagem do UOL revelou que e-mails obtidos pela Polícia Federal indicam que uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro aparecia vinculada ao mesmo perfil de usuário bancário que operava contas do advogado Willer Tomaz e da empresa Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. Essa vinculação teria sido desfeita em maio de 2025, logo após o início da Operação Sem Desconto, quando uma funcionária do escritório do advogado solicitou ao banco Santander a retirada daquele nome do sistema de acesso. O banco confirmou que a alteração foi realizada no mesmo dia. Importante: esses registros, por si sós, não constituem prova de que tenham havido transferências ou recebimento de valores indevidos, sendo necessária a investigação para esclarecer o que significava essa associação no sistema bancário.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam qualquer relação financeira entre si. O senador afirmou que nunca manteve conta administrada pelo advogado ou por suas empresas e classificou as informações divulgadas como inverídicas. A defesa de Tomaz também negou a criação de qualquer usuário bancário em nome do candidato à Presidência, esclarecendo que a relação entre os dois se restringe a uma amizade pessoal. Cabe agora às autoridades competentes analisar os elementos apresentados, ouvir todas as partes envolvidas e determinar se há elementos suficientes para aprofundar as investigações.
O assunto gerou repercussão entre parlamentares de diferentes legendas. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e o deputado estadual Leonel Radde (PT-RS) cobraram esclarecimentos sobre os pontos levantados, assim como o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ). Por outro lado, a defesa de Flávio Bolsonaro mantém sua posição de negação. A Polícia Federal e o ministro André Mendonça, que receberá o pedido, terão a responsabilidade de avaliar com isenção se há justificativa legal para a abertura de uma investigação. Que os fatos sejam apurados com celeridade, que todos tenham direito a se explicar e que a verdade seja estabelecida com clareza pela Justiça.



