Davi Brito vira alvo do MP após divulgar cassino ilegal

Uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) colocou três nomes conhecidos do público dos realities no centro de uma apuração sobre a divulgação de plataformas de apostas na internet. Davi Brito, campeão do BBB 24, sua irmã Raquel Brito, que participou de A Fazenda, e Bia Miranda, também conhecida por suas participações em realities da Record, estão entre os influenciadores cujas publicações passaram a ser monitoradas. O objetivo é apurar se conteúdos divulgados nas redes sociais promoviam cassinos e casas de apostas que operavam sem autorização.
A investigação foi divulgada nesta sexta-feira, 9 de outubro, cerca de duas semanas após a entrada em vigor da proibição mencionada no material que relata o caso. Segundo as informações apresentadas, os investigadores analisam publicações no Instagram para verificar se os perfis indicados divulgaram links que direcionavam seguidores a plataformas de jogos com apostas em dinheiro. A apuração ainda está em andamento, e a inclusão dos nomes no procedimento não significa que os envolvidos tenham sido considerados culpados.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores é a maneira como os links seriam apresentados ao público. De acordo com o relato da investigação, algumas publicações aparentavam divulgar jogos simples de adivinhação ou desafios de completar palavras. Entretanto, ao acessar os endereços, o usuário poderia encontrar ambientes com jogos que exigiam depósitos em dinheiro. A suspeita é de que esse formato dificultaria a identificação imediata da natureza da plataforma divulgada.
O Ministério Público também analisa a forma como os conteúdos apareciam nos stories, publicações temporárias do Instagram. Segundo a apuração, os links poderiam surgir entre registros cotidianos dos influenciadores, sem uma apresentação explícita de que se tratava de uma plataforma de apostas. Os investigadores procuram esclarecer se esse modelo de divulgação era utilizado para contornar restrições e alcançar seguidores que talvez não percebessem, de imediato, que estavam acessando um serviço de jogos com dinheiro.
Entre os elementos citados na investigação estão expressões usadas nas publicações. Davi Brito teria chamado uma dessas experiências de “resenha boa”, expressão que, conforme o material divulgado, levou ao apelido de “Mestre da Resenha”. Já Bia Miranda teria utilizado a frase “Não é bet, não é aposta. Você tem que completar a palavra para ganhar”. Os investigadores apuram se esse tipo de linguagem era empregado para apresentar as plataformas como simples brincadeiras, embora o acesso pudesse levar a jogos com apostas financeiras.
O caso também envolve uma mudança no cenário regulatório das apostas no Brasil. Segundo as informações que deram origem à notícia, o governo federal adotou medidas para restringir determinadas modalidades de apostas e publicidade, enquanto órgãos responsáveis passaram a atuar para identificar endereços que não estivessem autorizados. O material cita ainda a retirada de milhares de sites do ar pela área econômica do governo, em uma iniciativa voltada ao combate à oferta irregular desses serviços.
A investigação não se limita necessariamente aos três nomes mais conhecidos. O Ministério Público também teria recebido denúncias relacionadas a influenciadores menores, alguns dos quais divulgavam plataformas de apostas autorizadas antes das novas restrições. A apuração busca verificar se parte desses perfis passou a promover serviços sem licença, mantendo a divulgação de jogos e links comerciais nas redes sociais.
O principal alerta para os usuários é que plataformas sem autorização podem não oferecer as mesmas garantias de fiscalização e proteção disponíveis em serviços regularizados. Em caso de problemas, como dificuldades para sacar valores ou questionamentos sobre pagamentos, o consumidor pode encontrar obstáculos para obter atendimento e buscar reparação. Por isso, especialistas recomendam cautela diante de links divulgados por perfis populares, especialmente quando não há informações claras sobre a empresa responsável, suas condições de uso e sua situação regulatória.
Procurados para comentar a investigação, os influenciadores foram convidados a apresentar suas versões. Conforme o material que relata o caso, Davi Brito respondeu inicialmente que se pronunciaria, mas não havia enviado uma manifestação até o momento da publicação. Não foram apresentadas, no texto de origem, respostas de Raquel Brito e Bia Miranda. A ausência de posicionamento não deve ser interpretada como confirmação das suspeitas investigadas.
Com a apuração em andamento, caberá aos órgãos competentes verificar a origem dos links, o funcionamento das plataformas e a eventual responsabilidade de cada pessoa envolvida. Até que os fatos sejam esclarecidos, as suspeitas devem ser tratadas como objeto de investigação, e não como culpa comprovada. O caso chama a atenção para a responsabilidade na publicidade feita por influenciadores e para a importância de os seguidores verificarem a legalidade de serviços financeiros e de jogos antes de fornecer dados pessoais ou transferir dinheiro.



