Saúde & Bem-estar

Sinais nas pernas que podem alertar para risco cardíaco: quando acender o sinal vermelho

Quando pensamos em infarto, lembramos de dor no peito, falta de ar, suor frio. Mas há um indicador pouco comentado que merece atenção: a aparência das pernas. Alterações de pele, pelos, unhas e sensibilidade podem sinalizar doença arterial periférica (DAP) — manifestação da mesma aterosclerose que entope artérias do coração. Ou seja: o que aparece nas pernas pode refletir o que está acontecendo nas coronárias.

Um sinal clássico é a redução ou ausência de pelos nos membros inferiores, junto de pele mais lisa, brilhante e esbranquiçada. Isso ocorre porque o fluxo de sangue fica comprometido; com menos oxigênio e nutrientes chegando à pele e aos folículos, os pelos rareiam e a pele afina. A mesma falta de perfusão pode trazer unhas frágeis, atrofia de musculatura da panturrilha e até disfunção erétil em homens — tudo apontando para estreitamento ou obstrução em artérias como as ilíacas e femorais.

Outro alerta é a dor na panturrilha ao caminhar, que melhora ao parar — a chamada claudicação intermitente. Muita gente confunde com “dor muscular” comum, mas, na DAP, a dor surge sempre na mesma distância de caminhada e some com o repouso. À medida que a doença progride, podem surgir formigamentos, pés frios, queda de sensibilidade e cãibras noturnas. Em estágios avançados, a dor pode aparecer até em repouso, especialmente à noite, quando a perna está na horizontal e chega ainda menos sangue à ponta dos pés.

A pele também “fala”: lesões que custam a cicatrizar, feridinhas recorrentes nos dedos ou calcanhar e mudança de cor (do pálido ao arroxeado) indicam isquemia — falta de oxigênio nos tecidos. Sem tratamento, a isquemia crítica pode evoluir para necrose e gangrena, exigindo intervenções urgentes e, em casos extremos, amputação. Vale reforçar: esses achados nas pernas não “causam” infarto, mas revelam que a aterosclerose já está difusa, aumentando também o risco cardíaco.

A boa notícia é que dá para agir cedo. Se você notou dores ao caminhar, pés frios, pele muito fina e sem pelos, unhas quebradiças, formigamentos ou feridas teimosas, procure angiologista/vascular ou cardiologista. O diagnóstico costuma começar com anamnese e exame físico (palpação de pulsos nos pés) e pode incluir Índice Tornozelo-Braço (ITB) — exame simples, que compara a pressão do tornozelo com a do braço —, além de Doppler vascular e, quando necessário, angiotomografia. Detectada a DAP, o médico avalia também o risco coronariano, porque o problema raramente é isolado.

O tratamento tem dois pilares. O primeiro é mudar o terreno da aterosclerose: parar de fumar (fator de risco mais agressivo para DAP), controlar pressão, glicemia e colesterol, perder peso quando indicado, caminhar regularmente (sob orientação), melhorar a alimentação (menos ultraprocessados e frituras, mais fibras, frutas, verduras e gorduras boas) e dormir melhor. O segundo pilar é terapia médica: antiagregantes (quando indicados), estatinas para estabilizar placas, medicações para melhorar a marcha em casos selecionados. Em obstruções críticas, entram procedimentos endovasculares (angioplastia com ou sem stent) ou cirurgias de revascularização.

E quando procurar atendimento imediato? Se houver dor intensa no pé em repouso, súbito escurecimento/arroxeamento dos dedos, perda de sensibilidade, frieza marcante unilateral ou ferida com cheiro e secreção, vá ao pronto-socorro — são sinais de isquemia crítica. Para o coração, se surgirem dor no peito em aperto que irradia para braço/mandíbula/costas, acompanhada de falta de ar, náusea, suor frio ou mal-estar desproporcional, acione o SAMU (192).

Não é para entrar em pânico por ter menos pelos na perna ou pele mais brilhosa de um dia para o outro. Contexto é tudo: somatório de sinais, histórico pessoal/familiar (tabagismo, diabetes, colesterol alto, hipertensão) e idade aumentam a suspeita. A mensagem central é não ignorar mudanças persistentes nas pernas. Elas podem funcionar como um termômetro vascular — e te dar a chance de evitar um infarto cuidando do sistema como um todo.

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