‘Certeza da minha inocência’; Presa na Itália, Carla Zambelli anuncia livro e divulga carta

A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), detida desde 29 de julho na penitenciária de Rebibbia, em Roma, divulgou nesta sexta-feira (3) uma carta endereçada ao “povo brasileiro” em que afirma ter escrito um livro durante o período na prisão. No texto, Zambelli diz viver “dias muito duros”, reafirma ter a “certeza da inocência” e declara confiar na Justiça italiana e “em Deus”. Segundo a parlamentar, o manuscrito já está em edição e deverá ser apresentado ao público assim que sua equipe concluir os trâmites editoriais.
A carta circulou nas redes sociais da própria deputada e de perfis ligados à família e à equipe jurídica. Em tom devocional, Zambelli afirma que tem dedicado boa parte do tempo à oração por brasileiros “perseguidos e perseguidores”, pedindo “misericórdia” para ambos. Ela também solicita que os seguidores “conheçam e ajudem” na divulgação do livro quando for lançado. O teor do manuscrito não foi detalhado; aliados indicam que a obra deve narrar o período no exterior, sua captura em Roma e a visão da própria deputada sobre os processos que enfrenta no Brasil.
Zambelli foi presa na capital italiana após deixar o país dias antes de ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal. Desde então, aguarda o desfecho do processo de extradição solicitado pelas autoridades brasileiras. Decisões recentes do Judiciário italiano mantiveram a prisão cautelar sob o argumento de risco de fuga, e novas audiências foram agendadas ao longo do segundo semestre. Para a próxima semana, a defesa deve reiterar o pedido de prisão domiciliar, alegando condições pessoais e processuais que, segundo os advogados, justificariam a substituição do regime.
No plano jurídico, a estratégia da defesa busca duas frentes: impedir a extradição (contestando requisitos como dupla tipicidade e suficiência probatória) e, em caráter subsidiário, abrandar as condições de custódia enquanto o mérito é apreciado. Em paralelo, os representantes de Zambelli investem em uma narrativa pública de confiança na Justiça da Itália e em sua inocência, na tentativa de mobilizar base política e mitigar desgastes de imagem provocados por sua permanência no cárcere e pelos casos que tramitam no Brasil.
A publicação da carta e o anúncio do livro funcionam, portanto, como gesto de comunicação voltado ao núcleo de apoiadores: oferecem um relato em primeira pessoa, reafirmam pontos centrais de sua defesa e criam marco narrativo para possíveis lançamentos futuros — do próprio título às peças de mobilização digital. Ao mesmo tempo, remetem a um tabuleiro processual em que cada movimento tem efeitos simultâneos nas esferas judicial, política e de opinião pública, dentro e fora do país.
Enquanto a extradição aguarda decisão final e a defesa tenta flexibilizar o regime de custódia, a agenda imediata de Zambelli envolve a próxima audiência e a conclusão editorial do livro. Até lá, a parlamentar permanece em Rebibbia, sob as condições impostas pela Justiça italiana, e segue tentando pautar a narrativa do caso com mensagens que combinam profissão de inocência, apelos espirituais e promessas de explicações detalhadas na obra anunciada.



