Aviões colidem em Nova York; aeronaves transportavam 93 pessoas

Naquela noite de quarta-feira, 1º de outubro, o movimento no Aeroporto LaGuardia, em Nova York, parecia seguir a rotina de sempre. Luzes refletiam no asfalto molhado, vozes ecoavam no rádio dos controladores, e dezenas de passageiros se preparavam para encerrar o dia com voos que, em tese, seriam apenas mais um número no painel de partidas e chegadas. Mas algo estava prestes a transformar aquela noite em um registro inesperado na história da aviação.
Pouco antes das 22h, dois aviões da mesma companhia seguiam trajetos distintos na pista. De um lado, uma aeronave que acabara de pousar trazia passageiros vindos da Carolina do Norte. Do outro, um jato se posicionava para a decolagem rumo à Virgínia. Ambos avançavam lentamente, respeitando orientações de solo. Nada, à primeira vista, parecia fora do normal.
O silêncio dentro das cabines contrastava com a tensão invisível que se acumulava. Um ajuste errado de direção? Uma comunicação truncada? Ou apenas o azar de linhas que não deveriam jamais se cruzar? Enquanto os pilotos confiavam nas instruções recebidas, os passageiros seguiam alheios, acreditando que a viagem estava em plena segurança.
Foi então que a calmaria se rompeu. O encontro das duas aeronaves não se deu no ar, mas no chão. O impacto metálico ecoou pelo aeroporto: uma asa avançando contra a fuselagem do outro jato, rasgando o que deveria ser apenas mais uma manobra de rotina. Dentro das cabines, a surpresa tomou forma de gritos abafados, enquanto alarmes soaram e os tripulantes tentavam controlar a situação.
O estrago não foi pequeno. Um avião teve o nariz e o vidro do cockpit atingidos; o outro perdeu parte da asa direita. No meio da confusão, quase uma centena de pessoas aguardava ansiosa por orientações, enquanto um membro da tripulação precisava ser levado ao hospital com ferimentos leves. Ainda assim, de maneira quase inacreditável, não houve vítimas entre os passageiros.
As investigações começaram imediatamente. A Administração Federal de Aviação (FAA) e o Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB) passaram a reunir dados, gravações e relatos para entender como um choque entre aeronaves da mesma empresa pôde ocorrer em plena área controlada de um dos aeroportos mais movimentados do mundo.
A companhia envolvida se apressou em oferecer apoio, transporte alternativo e hospedagem aos viajantes que, entre alívio e susto, sabiam que haviam escapado de algo muito pior. Mais que isso, reforçou seu discurso sobre segurança, prometendo revisões e correções necessárias para evitar que o episódio se repetisse.
E é justamente aí que a história ganha contornos mais perturbadores. Porque não se tratava de um caso isolado. Meses antes, em fevereiro, outra aeronave da mesma subsidiária já havia protagonizado um acidente grave em Toronto, que terminou com mais de 20 feridos.
O que aconteceu em LaGuardia não foi, portanto, um evento único — mas o segundo alerta em menos de um ano para a mesma empresa.



