Sem saber, moradores filmaram helicóptero de Rick momentos antes da queda e notaram detalhe

Sem saber, moradores filmaram helicóptero de Rick momentos antes da queda e notaram detalhe

A Força Aérea Brasileira (FAB) apresentou, nesta terça-feira (29), detalhes sobre as circunstâncias em que voava o helicóptero que caiu na região serrana de Santa Catarina, vitimando cinco pessoas, entre elas o cantor Rick, da dupla Rick & Renner. A explicação central diz respeito à ausência de comunicação entre a aeronave e os órgãos de controle de tráfego aéreo durante o trajeto: segundo a instituição, o trecho percorrido insere-se em um espaço aéreo não controlado, onde não há exigência de contato obrigatório com torres ou centros de vigilância.

O coronel aviador Silvio Monteiro Júnior detalhou o funcionamento daquela área em nota oficial. “Como esses espaços aéreos não são controlados, não é exigido que a aeronave faça contato com algum órgão de controle do espaço aéreo”, esclareceu. Isso significa que a tripulação não descumpriu qualquer norma ao não estabelecer comunicação direta. As informações necessárias à segurança do voo — como condições meteorológicas, situação do aeródromo de destino e dados relevantes ao trajeto — são transmitidas por meio do Serviço de Informação de Voo, prestado, no caso, pelo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo de Curitiba.

A FAB também esclareceu que não havia proibição de circulação na região no momento do acidente. Conforme observou o coronel, “não havia uma proibição que aquela aeronave voasse naquela região naquele momento”. Ainda assim, as condições climáticas registradas eram consideradas desfavoráveis: chuva forte, ventos de intensidade elevada e visibilidade reduzida pela neblina predominavam sobre a área da Serra Catarinense. O contraste entre a permissão legal de voo e a dificuldade de navegação visual tornou-se um dos pontos centrais da investigação.

Para reconstruir os últimos instantes da aeronave, as autoridades recorreram também a relatos e gravações de moradores locais. Em depoimento ao programa Fantástico, da TV Globo, Rodrigo Afonso contou que percebeu o helicóptero voando a uma altitude consideravelmente inferior à habitual. “Ele saiu daquele morro que fica aqui pra trás, então ele já saiu meio que na altura, mais baixo do que o normal. Isso chamou a atenção da gente”, relatou, acrescentando que decidiu registrar a cena justamente por esse detalhe.

Outra testemunha, Israel Rosa, que estava próximo ao local do impacto, afirmou não ter notado sinais evidentes de falha mecânica antes da queda. “Não percebi nada de pane. Não tinha fumaça, o barulho constante normal, a velocidade também”, descreveu. As observações convergem para um quadro em que a aeronave não apresentava, externamente, sinais de avaria visível, o que leva a investigação a aprofundar a análise de fatores como navegação, decisões da tripulação e influência das condições climáticas.

Ainda vieram à luz mensagens trocadas pelo copiloto Leopoldo Barros Teixeira, que revelam preocupação com o percurso. Embora o conteúdo integral não tenha sido divulgado, a troca de informações indica que a tripulação estava atenta aos desafios do trajeto. Esse dado reforça a complexidade da situação: mesmo cientes das dificuldades, os ocupantes seguiram viagem, em decisão que será avaliada a luz de procedimentos operacionais e das condições encontradas no percurso.

A investigação segue em andamento, com recolhimento de provas, análise de registros e cruzamento de informações técnicas. O objetivo é estabelecer com clareza a sequência de eventos que levou ao acidente, identificando os fatores determinantes e, quando aplicável, propor medidas para aumentar a segurança de voos em regiões de difícil acesso e condições climáticas variáveis. A sociedade acompanha os desdobramentos, na expectativa de respostas que honrem a memória das vítimas e contribuam para a prevenção de novos acidentes.