Moraes autoriza investigação de ameaças contra Dino por voto em julgamento de Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal voltou ao centro do debate político e jurídico do país. O ministro Alexandre de Moraes decidiu ampliar o chamado inquérito das milícias digitais, incluindo nele as recentes ameaças direcionadas ao também ministro da Corte, Flávio Dino. Os ataques teriam se intensificado logo após o julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão, acusado de tentativa de golpe de Estado.
A decisão de Moraes atendeu a um pedido formal da Polícia Federal, que reuniu dezenas de publicações feitas em diferentes plataformas. O levantamento apontou mensagens com xingamentos, ofensas pessoais, ameaças de morte e até ataques a familiares de Dino. Segundo a PF, o conteúdo ultrapassa o limite do debate político e adquire caráter persecutório, com risco real de intimidação.
Pressão sobre as redes sociais
Um dos pontos mais duros da decisão foi a ordem para que empresas como Meta, TikTok, X (antigo Twitter) e YouTube entreguem, em até 48 horas, os dados de usuários que participaram da onda de ataques. O objetivo é identificar perfis suspeitos de integrar uma organização criminosa virtual voltada a desestabilizar instituições democráticas.
Nos bastidores, técnicos da PF alertam que essa ofensiva digital segue um padrão já observado em outras ocasiões: mensagens em massa, coordenadas, com a intenção de gerar medo e pressionar autoridades. Esse tipo de comportamento foi visto também em momentos de tensão política, como nos atos de 8 de janeiro de 2023.
O que diz a Polícia Federal
No documento encaminhado ao STF, a corporação classificou as postagens como de “potencial intimidatório”, afirmando que elas buscam “constranger o exercício regular da função pública”. A PF destacou ainda que tais ameaças não apenas afetam Dino, mas também atingem o delegado Fábio Shor, responsável por investigações sensíveis envolvendo grupos extremistas.
A análise da Polícia conclui que esse tipo de conduta coloca em risco a imparcialidade e independência do trabalho dos agentes públicos, criando um clima de intimidação que extrapola o debate democrático.
Moraes reforça a linha dura
Na decisão, Moraes concordou com os argumentos da PF e ressaltou que as ameaças estão claramente inseridas no escopo do inquérito das milícias digitais. “Do exame dos fatos narrados, verifico que, efetivamente, estão abrangidos pelo objeto desta investigação”, afirmou.
Foram compiladas mais de 50 publicações que, segundo os investigadores, evidenciam uma campanha coordenada de ataques virtuais. Ainda não há confirmação de quantos perfis pertencem a indivíduos reais ou a contas automatizadas, mas essa identificação deve ser feita com a cooperação das plataformas.
Repercussões políticas
A inclusão do caso no inquérito ocorre em um momento de forte polarização. Aliados de Dino comemoraram a decisão, alegando que ela protege a integridade de ministros e servidores que atuam em processos delicados. Já críticos do STF voltaram a acusar a Corte de agir de maneira autoritária, alegando risco de censura nas redes.
Enquanto isso, o clima permanece tenso. O episódio reforça como a disputa política brasileira, longe de se restringir aos palanques e tribunais, tem migrado para o ambiente digital, onde palavras podem se transformar em armas.
Com essa decisão, Moraes deixa claro que o Supremo não pretende tolerar a escalada de ameaças virtuais contra seus membros. Agora, a expectativa recai sobre as redes sociais e sua disposição em colaborar com a Justiça brasileira.



