Cantor Milton Nascimento tem triste diagnóstico confirmado

A música brasileira amanheceu mais reflexiva nesta semana. Aos 82 anos, Milton Nascimento, um dos maiores nomes da MPB, recebeu o diagnóstico de demência por corpos de Lewy (DCL), doença neurológica que afeta memória, cognição e coordenação motora. O anúncio foi feito por seu filho e empresário, Augusto Nascimento, que decidiu transformar a notícia em um gesto de carinho: antes mesmo da confirmação médica, levou o pai para uma viagem inesquecível pelos Estados Unidos.
Em entrevista à revista Piauí, Augusto contou que os primeiros sinais surgiram de forma sutil. Após o desfile da Portela, em fevereiro, e o lançamento do documentário que revisita a trajetória do cantor, Milton começou a apresentar lapsos de memória, perda de apetite e repetição de histórias em curtos intervalos de tempo. Também permanecia longos minutos com o olhar fixo em um ponto, o que preocupou familiares e amigos próximos.
“Era o mesmo Bituca de sempre, mas havia detalhes que não passavam despercebidos. Ele já não era tão atento, esquecia coisas simples e se mostrava diferente em pequenos gestos”, relatou Augusto.
A preocupação o levou a procurar o médico clínico geral Weverton Siqueira, que acompanha Milton há mais de uma década. Em abril, os testes revelaram alterações significativas em áreas como atenção, cálculo, linguagem e orientação espacial. “Foi a primeira vez em dez anos que me assustei com a evolução do quadro”, afirmou o especialista, que recomendou exames mais detalhados.
Enquanto aguardavam os resultados, pai e filho decidiram escrever um capítulo de afeto na história da família. Em maio, embarcaram de Dallas, no Texas, rumo a uma viagem de motorhome. No percurso de 16 dias, passaram por cinco estados norte-americanos e percorreram cerca de 4 mil quilômetros. O ponto alto aconteceu quando Milton assistiu a um show de Paul Simon, de quem é admirador, e teve a oportunidade de encontrá-lo nos bastidores.
De volta ao Brasil, veio a confirmação: demência por corpos de Lewy. A condição é marcada pela presença de depósitos anormais da proteína alfa-sinucleína no cérebro, os chamados corpos de Lewy. Esses depósitos afetam áreas responsáveis pela memória e pelo movimento, provocando sintomas que se confundem com os do Alzheimer e do Parkinson. Não por acaso, Milton já havia recebido anteriormente um diagnóstico de Parkinson, antes da conclusão definitiva.
Segundo especialistas, a DCL é progressiva e exige acompanhamento multidisciplinar, incluindo médicos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Ainda não há cura, mas o tratamento busca amenizar os sintomas e preservar a qualidade de vida do paciente.
Para além do diagnóstico, o que chama a atenção é a forma como Augusto tem conduzido o processo ao lado do pai. “A viagem foi uma maneira de celebrar o tempo juntos, de criar memórias mesmo em meio às incertezas”, disse.
A notícia gerou comoção entre fãs e colegas da música. Nas redes sociais, artistas como Maria Bethânia, Gal Costa (em registros antigos compartilhados por sua equipe) e Caetano Veloso relembraram momentos ao lado de Milton, reforçando sua importância cultural. O público, por sua vez, tem se mobilizado em mensagens de apoio, enviando orações e lembranças de músicas que marcaram gerações.
Milton, carinhosamente chamado de Bituca, sempre foi conhecido por transformar dor em poesia e esperança em melodia. Agora, ao lado do filho, enfrenta um novo desafio que não apaga sua trajetória, mas reafirma a grandeza de uma vida dedicada à arte e à emoção coletiva.



