‘Não fui preso, tô de boa’, ex-assessor de Moraes fala após ser levado à delegacia na Itália

O ex-assessor de Alexandre de Moraes no TSE, Eduardo Tagliaferro, afirmou nesta quarta-feira (1º.out.2025) que “não foi preso” e que já está “em casa, de boa”, depois de ter sido conduzido a uma delegacia na cidade onde reside, no sul da Itália. Em vídeo publicado nas redes, ele classificou a ação como um “procedimento de informação” e reforçou que seguirá respondendo aos desdobramentos do caso que enfrenta no Brasil — onde há pedido de extradição em aberto relacionado a investigação por vazamento de mensagens. Segundo relatos da imprensa, a condução ocorreu pela manhã e terminou horas depois, com sua liberação.
A defesa de Tagliaferro declarou que ele entregou voluntariamente os documentos, comprometeu-se a não deixar a cidade e cumprirá eventuais medidas cautelares impostas pelas autoridades italianas enquanto o processo tramita. Em nota, os advogados afirmaram que vão adotar providências jurídicas tanto na Itália quanto no Brasil e classificaram os atos contra o cliente como “arbitrários” e “ilegais”, tese que pretendem sustentar em momento oportuno. Esse pacote de obrigações — que inclui restrição de circulação — foi apontado por veículos como resultado da ida à delegacia, diferentemente de uma prisão preventiva.
A condução do ex-assessor ocorreu no contexto em que a Procuradoria-Geral da República já havia denunciado Tagliaferro por supostamente divulgar comunicações internas envolvendo servidores ligados ao gabinete de Moraes. A CNN Brasil noticiou mais cedo a detenção, associando-a ao avanço da cooperação internacional para dar cumprimento a decisões judiciais brasileiras — o que, na prática, mantém sob debate a eventual extradição. Após sair da delegacia, Tagliaferro reforçou a narrativa de que não foi preso e voltou a criticar publicamente o ministro do STF.
O episódio catalisou reações antagônicas nas redes. Perfis de oposição ao ministro enfatizaram a fala de Tagliaferro (“não fui preso”) para contestar a eficácia das medidas e sugerir recuo das autoridades italianas. Já interlocutores próximos ao Judiciário sustentaram que a execução de medidas cautelares e o compromisso de permanência configuram avanço institucional, ainda que abaixo do limiar de uma prisão formal. A disputa narrativa evidencia como etiquetas processuais — “detido”, “conduzido”, “liberado” — ganham peso político quando transbordam do campo jurídico para a arena pública.
Do ponto de vista técnico, a fase atual não encerra o assunto: a Justiça italiana pode avaliar novos pedidos derivados do processo brasileiro, e a defesa promete recursos. Em paralelo, autoridades brasileiras acompanham os próximos passos para verificar se os requisitos de extradição — como dupla tipicidade, existência de processo e garantias — permanecem atendidos. Enquanto isso, a estratégia de comunicação de Tagliaferro busca desidratar a percepção de “prisão” e reforçar a imagem de colaboração “de boa-fé”, ao mesmo tempo em que sustenta críticas ao ministro e ao STF, criando pressão de opinião pública.
Em síntese, o dia terminou com duas realidades simultâneas: para os registros oficiais e a imprensa, houve condução e liberação com cautelares; para o próprio Tagliaferro, prevalece a mensagem política “não fui preso, tô de boa”. O conteúdo jurídico ainda amadurece — e passa pela Itália e pelo Brasil. Até aqui, os fatos confirmados apontam que ele não está sob custódia, mas segue submetido a condicionantes e a um processo em andamento, no qual a extradição permanece como carta sobre a mesa.



