Helicóptero com Rick caiu um minuto após último sinal, estima FAB

O helicóptero que transportava o cantor Rick, da dupla com Renner, caiu em área de mata em Urubici, na Serra de Santa Catarina, apenas sessenta segundos após registrar seu último contato com as autoridades aéreas. Dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB), indicam que o sinal foi perdido às 11h34 de segunda-feira, 21 de setembro, e a queda ocorreu já às 11h35. A informação detalha a brevidade entre o último registro e o desfecho trágico do voo.
A aeronave havia decolado de Porto Belo, no Litoral Norte catarinense, às 10h30, com destino a São Joaquim. A previsão era de chegada por volta das 11h24, mas o trajeto foi interrompido antes de alcançar o destino. As condições climáticas na região serrana estavam classificadas como desfavoráveis: chuva forte, ventos intensos e nebulosidade que reduzia a visibilidade. Em nota oficial, a FAB destacou que tais fatores estavam presentes no momento da passagem da aeronave pela área.
Os destroços foram localizados apenas na tarde de terça-feira, 22, em meio à vegetação da serra. No dia seguinte, equipes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) chegaram ao local e recuperaram a caixa-preta da aeronave. O equipamento foi encaminhado para análise técnica, cujos dados devem auxiliar na reconstrução dos minutos finais do voo e na identificação dos elementos que contribuíram para o acidente.
Além de Rick, estavam a bordo o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Todas as cinco pessoas a bordo faleceram no acidente. A aeronave, modelo Bell 430 fabricada em 2001, tinha capacidade para oito ocupantes — um piloto e sete passageiros — e estava autorizada inclusive para voos noturnos, com peso máximo de decolagem de 4.218 quilos.
Conforme registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o helicóptero mantinha situação regular e possuía certificação de operação válida até 11 de agosto de 2027. Essa informação afasta, por ora, a hipótese de falência documental ou de autorização vencida como causa direta do ocorrido. A regularidade da aeronave é um dos primeiros itens verificados em investigações desse tipo, e seu cumprimento indica que manutenções e inspeções estavam em dia conforme a legislação vigente.
A investigação conduzida pelo Cenipa segue em andamento e deverá esmiuçar cada detalhe: o comportamento da aeronave, as decisões da tripulação, o impacto das condições meteorológicas e eventuais falhas mecânicas ou operacionais. O relatório final costuma ser divulgado após meses de análise, com o objetivo de não apenas esclarecer o que aconteceu, mas também adotar medidas que evitem a repetição de tragédias semelhantes. O país acompanha os desdobramentos, prestando solidariedade às famílias que perdem entes queridos neste que foi um dos acidentes aéreos mais sentidos nos últimos anos.



