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Caixa-preta de helicóptero pode revelar última conversa de Rick e dos outros ocupantes antes da queda

A caixa-preta do helicóptero que caiu em uma área de mata fechada em Urubici, na Serra de Santa Catarina, pode ajudar a esclarecer as circunstâncias que levaram à queda da aeronave e à morte de cinco pessoas, entre elas o cantor Rick Sollo, da dupla Rick & Renner. O equipamento foi localizado pelas equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) durante os trabalhos de investigação e contém registros que podem contribuir para a reconstrução dos momentos anteriores ao acidente. A aeronave caiu na segunda-feira (21), e os destroços foram encontrados somente na terça-feira (22), por volta do meio-dia. Nenhum dos cinco ocupantes sobreviveu.

O equipamento recuperado é um Cockpit Voice Recorder (CVR), conhecido como gravador de voz da cabine. Segundo informações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o aparelho foi encaminhado para Brasília, onde será submetido à leitura e análise dos dados armazenados. De acordo com o especialista em aviação Silvio Monteiro Júnior, o equipamento permite que os investigadores tenham acesso aos sons registrados dentro da cabine e, dessa forma, tentem reconstruir a maneira como a tripulação percebeu e reagiu aos acontecimentos. Entre os registros que podem ser analisados estão conversas, comunicações de rádio, alarmes, ruídos dos motores, vibrações e até sons relacionados ao impacto.

A memória responsável por armazenar os dados fica protegida por uma estrutura desenvolvida justamente para resistir às condições extremas de um acidente. A chamada Crash Survivable Memory Unit possui diferentes camadas de proteção contra impactos, esmagamento, perfuração, altas temperaturas e imersão. Por isso, mesmo depois de uma queda de grande intensidade, existe a possibilidade de os investigadores conseguirem recuperar informações importantes. O Cenipa concluiu os trabalhos de perícia no local do acidente na tarde de quarta-feira (23), mas informou que ainda não existe uma data definida para a conclusão de toda a investigação. A prioridade, segundo o órgão, é reunir e analisar todas as informações disponíveis para compreender o que aconteceu.

Apesar de ser popularmente conhecida como “caixa-preta”, a estrutura normalmente possui cores como laranja ou vermelho para facilitar sua localização após acidentes. Existem dois equipamentos principais associados ao registro de dados de voo: o Flight Data Recorder (FDR), responsável por armazenar parâmetros técnicos da aeronave, e o Cockpit Voice Recorder (CVR), que registra os sons da cabine. Entre os dados que podem ser encontrados em um FDR estão altitude, velocidade, proa, acelerações, posição de comandos, funcionamento dos motores e posição dos manetes. Em helicópteros, alguns parâmetros específicos também podem ser registrados, como informações relacionadas à rotação do rotor de cauda.

A tecnologia das caixas-pretas foi desenvolvida a partir do trabalho do cientista australiano David Warren, do Laboratório de Pesquisa Aeronáutica da Austrália, na década de 1950. A criação representou uma mudança importante na investigação de acidentes aéreos, já que passou a permitir a análise de informações registradas durante o voo, além da avaliação dos destroços. De acordo com o especialista citado pelo g1, os equipamentos utilizados em helicópteros seguem o mesmo princípio dos empregados na aviação comercial, embora possam registrar parâmetros específicos desse tipo de aeronave. A instalação desses dispositivos, porém, não é obrigatória em todos os helicópteros, pois depende de fatores como peso, configuração, número de passageiros, categoria de operação, data de certificação e regulamentação aplicável.

O acidente terminou com a morte dos cinco ocupantes do helicóptero. Além de Rick Sollo, morreram o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Com a recuperação da caixa-preta e a análise dos demais elementos encontrados no local, os investigadores buscam reunir informações que permitam reconstruir a sequência de acontecimentos que antecedeu a queda. A análise dos registros, porém, faz parte de um processo que ainda está em andamento e não permite, neste momento, apontar de forma definitiva a causa do acidente. O Cenipa informou que não há prazo estabelecido para a conclusão da investigação.

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