Vídeo criado com IA gera revolta ao mostrar Rick ao lado de Marília Mendonça e Leandro no céu

Um vídeo produzido com inteligência artificial envolvendo o cantor Rick Sollo, da dupla com Renner, passou a circular nas redes sociais e provocou uma onda de críticas nesta quarta-feira (23). Na montagem, o artista aparece chegando ao céu e sendo recebido por Marília Mendonça e Leandro, da dupla com Leonardo. Marília morreu em 2021, vítima de um acidente aéreo, enquanto Leandro morreu em 1998, após enfrentar um câncer. A publicação ganhou repercussão justamente poucos dias depois da morte de Rick, que faleceu na segunda-feira (21), após o helicóptero em que estava com outras quatro pessoas cair em Santa Catarina. O acidente terminou com a morte de todos os ocupantes da aeronave.
A utilização da imagem dos três artistas gerou desconforto entre internautas, principalmente pelo fato de a morte de Rick ser recente. Nas redes sociais, usuários questionaram a criação e a divulgação de conteúdos que utilizam inteligência artificial para representar pessoas que já morreram, especialmente em situações relacionadas à despedida ou ao chamado “encontro no céu”. Comentários publicados na plataforma X classificaram o material como desrespeitoso, de mau gosto e desnecessário. Outros usuários destacaram que a utilização de imagens de pessoas falecidas pode ultrapassar limites quando envolve familiares que ainda estão vivendo o período de luto.
Entre as manifestações, houve quem defendesse que conteúdos desse tipo deveriam ser evitados, principalmente quando a morte aconteceu há pouco tempo. Um internauta afirmou que a produção era desrespeitosa com as famílias, enquanto outro classificou o vídeo como constrangedor. Também houve críticas direcionadas ao uso da inteligência artificial nesse contexto. Uma das pessoas que comentou a publicação afirmou ser favorável à tecnologia, mas ressaltou que, em sua avaliação, existem situações em que seu uso precisa encontrar limites. As reações mostram como a popularização das ferramentas de IA também trouxe discussões sobre direitos de imagem, respeito à memória de pessoas mortas e os limites éticos para a criação de conteúdos digitais.
A repercussão aconteceu no mesmo período em que familiares de Rick enfrentam o impacto da perda do cantor. Mônica Nascimento, filha do artista, publicou uma homenagem ao pai nas redes sociais e falou sobre a dificuldade de lidar com a morte. Em seu relato, ela descreveu a relação entre os dois como um vínculo muito especial e afirmou estar enfrentando uma dor que, segundo suas próprias palavras, vai além do sofrimento físico. A filha também recordou frases que o pai costumava dizer quando ela enfrentava momentos difíceis e destacou o quanto gostaria que a notícia da morte fosse apenas um pesadelo. A publicação emocionou seguidores e recebeu mensagens de apoio.
Rick Sollo morreu aos , após o helicóptero que o transportava cair na Serra Catarinense. Além dele, estavam na aeronave o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. As cinco pessoas morreram no acidente. A aeronave foi localizada em uma área de difícil acesso na região de São Joaquim, após uma operação que envolveu equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Força Aérea Brasileira. Os corpos foram posteriormente retirados dos destroços e encaminhados para Florianópolis, onde passaram a ser submetidos aos procedimentos da Polícia Científica.
A circulação do vídeo feito por inteligência artificial acrescenta uma nova discussão ao momento de como a morte de Rick vem sendo retratada na internet. Enquanto ferramentas digitais permitem criar imagens cada vez mais realistas de pessoas que já morreram, familiares e internautas questionam até que ponto esse recurso deve ser utilizado em situações de luto. No caso do cantor, a publicação apareceu poucos dias após o acidente que provocou sua morte e acabou sendo recebida com forte reprovação por parte de usuários. O episódio evidencia que, além das possibilidades criativas oferecidas pela inteligência artificial, o uso da imagem de pessoas falecidas envolve questões de respeito, memória e sensibilidade, especialmente quando a perda ainda é recente.



