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Ele lutou até o fim: Morre o querido Luiz Perillo, arquiteto que recebeu 5 transplantes

O arquiteto brasiliense Luiz Perillo, de 35 anos, morreu na manhã desta terça-feira (30/9), em São Paulo, uma semana após passar por um dos procedimentos cirúrgicos mais complexos da atualidade: o transplante multivisceral de cinco órgãos de um mesmo doador. O caso, que mobilizou médicos, familiares e milhares de seguidores nas redes sociais, reacende a discussão sobre os limites da ciência, a luta dos pacientes em filas de espera e a necessidade de ampliar a doação de órgãos no Brasil.

Perillo aguardava o transplante havia mais de quatro anos e viveu os últimos dois internado no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, onde passou a receber cuidados integrais enquanto seu corpo lutava contra uma condição devastadora. Portador de trombofilia, doença rara que provoca a formação descontrolada de coágulos sanguíneos, o arquiteto enfrentou uma sequência de complicações que resultaram na falência intestinal e renal. A perda de órgãos vitais levou-o a depender de nutrição parenteral e de suporte clínico constante, reduzindo seu peso a apenas 34 quilos.

A tão aguardada chance de recomeço surgiu em 23 de setembro, quando surgiu um único doador compatível capaz de fornecer os cinco órgãos necessários — fígado, pâncreas, estômago, intestino delgado e rim. A realização do transplante só foi possível graças à incorporação, em fevereiro deste ano, do transplante multivisceral ao rol de procedimentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida abriu caminho para que brasileiros com condições semelhantes tivessem acesso a uma alternativa antes restrita a centros internacionais, em especial nos Estados Unidos.

O primeiro ciclo da cirurgia foi iniciado com sucesso, mas, devido à complexidade, seria necessário concluir o transplante em mais de uma etapa. Durante o processo, Luiz apresentou um quadro infeccioso grave, exigindo que os médicos interrompessem a intervenção para tratar a complicação. A pausa, contudo, foi seguida por uma parada cardiorrespiratória, que deixou o paciente em estado crítico. Apesar dos esforços das equipes médicas, ele não resistiu. A morte foi confirmada pela família em comunicado emocionado publicado nas redes sociais, no qual agradeceram as manifestações de apoio recebidas ao longo da internação.

Embora o desfecho tenha sido trágico, especialistas apontam que o caso de Luiz Perillo deve ser visto também como um marco para a medicina brasileira. O transplante multivisceral é considerado um dos procedimentos mais desafiadores no campo da cirurgia, com taxas de sucesso ainda limitadas mesmo em países com maior tradição na área. A oportunidade de realizá-lo em território nacional demonstra não apenas avanço tecnológico, mas também a consolidação de equipes altamente capacitadas no país.

Além do impacto médico, a trajetória de Luiz levantou reflexões profundas sobre resiliência, esperança e solidariedade. Mesmo debilitado, o arquiteto compartilhou, em diferentes momentos, mensagens de otimismo que mobilizaram amigos, colegas e desconhecidos. Sua luta trouxe visibilidade a um tema muitas vezes esquecido: a urgência da doação de órgãos. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que mais de 65 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante no Brasil, e a maioria não terá acesso à cirurgia em tempo hábil. O gesto solidário de famílias que autorizam a doação pode significar, como no caso de Luiz, a única chance de vida para pacientes em situações críticas.

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