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Digimais aplica R$ 271 milhões em títulos do antigo Besc em operação semelhante à do Master

O Banco Digimais, instituição controlada pelo grupo ligado ao bispo Edir Macedo, entrou no centro das atenções do mercado financeiro nesta sexta-feira (18). Segundo informações divulgadas pela imprensa, a instituição manteve uma aplicação de R$ 271,4 milhões em títulos relacionados ao antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), operação que apresenta características semelhantes a negócios envolvendo o Banco Master.

Os dados foram revelados a partir de documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisados pela imprensa. A aplicação estava concentrada no Fundo Betel, administrado pela gestora Reag. Até janeiro deste ano, o Digimais aparecia como único cotista do fundo.

Os papéis em questão são certificados relacionados ao antigo Besc. A instituição deixou de operar como banco independente em 2009, depois de sua incorporação pelo Banco do Brasil. Segundo informações citadas nas reportagens, esses ativos atualmente possuem principalmente valor histórico.

O valor chama atenção também quando comparado ao tamanho do patrimônio do Digimais. Os R$ 271,4 milhões correspondiam a aproximadamente 82% do patrimônio líquido de R$ 331 milhões considerado nos dados analisados.

Na prática, isso significa que uma parcela bastante expressiva dos recursos da instituição estava concentrada em um único tipo de ativo. A concentração da carteira passou a ser observada com atenção diante das discussões envolvendo operações semelhantes no mercado financeiro.

O caso também aproxima o Digimais de uma estrutura que já apareceu nas investigações relacionadas ao Banco Master. Fundos ligados ao Master também estiveram envolvidos em operações com títulos antigos do Besc, segundo informações divulgadas pela imprensa.

É importante destacar, porém, que a existência de características semelhantes entre operações não significa, por si só, que todas tenham recebido o mesmo tratamento ou que tenham as mesmas conclusões jurídicas. Outro ponto em comum está na gestora responsável pelos fundos.

O Fundo Betel, utilizado pelo Digimais para manter os ativos, era administrado pela Reag. A empresa também aparece em estruturas relacionadas ao caso Master e foi posteriormente liquidada pelo Banco Central. A situação ganhou ainda mais atenção porque o Banco Central e outros órgãos passaram a analisar diferentes operações realizadas no mercado financeiro nos últimos meses.

O tema faz parte de um cenário mais amplo de fiscalização sobre instituições financeiras, fundos de investimento e formas de contabilização de determinados ativos.

A notícia surge em um momento delicado para o Digimais. Em junho de 2026, a Polícia Federal realizou uma operação que teve como alvo a instituição e pessoas relacionadas ao banco. De acordo com informações divulgadas pela Reuters, a investigação partiu de relatórios do Banco Central e apura suspeitas relacionadas à apresentação de informações contábeis e regulatórias. O banco informou, na ocasião, que estava à disposição das autoridades e que colaboraria com as apurações.

Mais recentemente, dados divulgados sobre o primeiro semestre de 2026 mostraram que o Digimais registrou prejuízo de R$ 581,4 milhões no período. O resultado contrasta com o lucro de R$ 42,1 milhões registrado no mesmo intervalo de 2025.

Também houve mudanças na administração da instituição. Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, passou a comandar o Digimais neste ano. O futuro do banco também esteve relacionado a uma negociação com o BTG Pactual.

Em abril, o BTG confirmou a assinatura de um acordo para a aquisição do controle do Digimais. A conclusão, entretanto, dependia de condições e autorizações necessárias para a operação. O cenário mudou ao longo do ano com o avanço das investigações e das discussões envolvendo o setor financeiro.

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