Um dia após uma sessão marcada por divergências entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo iniciaram uma nova rodada de reuniões em Washington, nos Estados Unidos. O objetivo da agenda é discutir com autoridades norte-americanas a possibilidade de novas medidas contra integrantes do STF, especialmente o ministro Alexandre de Moraes.
A movimentação ocorre após a sessão do Supremo realizada na terça-feira (15), que terminou sem uma conclusão definitiva sobre a tramitação dos casos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça. Durante o julgamento, o ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo a análise. O placar provisório havia ficado em 4 votos a 3 pela manutenção dos casos separados, antes da suspensão.
O encontro entre a agenda política nos Estados Unidos e os acontecimentos no STF chamou atenção porque Eduardo Bolsonaro já havia anunciado que levaria a autoridades norte-americanas informações relacionadas ao julgamento. Segundo declarações atribuídas ao ex-deputado, registros da sessão seriam apresentados durante sua passagem por Washington como parte da articulação pela adoção de novas sanções contra autoridades brasileiras.
A possibilidade de novas medidas americanas contra Moraes não surgiu apenas após a sessão do Supremo. O governo de Donald Trump já vinha acompanhando a crise envolvendo o tribunal e avaliando a adoção de sanções. Reportagens recentes apontaram que autoridades norte-americanas analisavam novamente instrumentos previstos na Lei Global Magnitsky, utilizada anteriormente contra o ministro.
Nesse contexto, Eduardo Bolsonaro tem mantido uma atuação voltada para autoridades e integrantes da administração Trump. Ele afirmou que pretende defender a retomada das sanções contra Moraes e apresentar aos americanos informações que, na sua avaliação, reforçariam os argumentos para novas medidas. A estratégia faz parte de uma articulação que vem sendo desenvolvida há meses nos Estados Unidos.
Paulo Figueiredo também participa dessa movimentação. Os dois já mantêm interlocução com integrantes do governo norte-americano e passaram a atuar de forma mais intensa no debate sobre possíveis medidas contra autoridades brasileiras. A agenda em Washington ocorre justamente em um momento de atenção internacional aos desdobramentos da crise envolvendo o STF.
A Lei Global Magnitsky permite aos Estados Unidos aplicar sanções financeiras e restrições contra determinados indivíduos estrangeiros em situações previstas pela legislação americana. Moraes já havia sido alvo desse mecanismo em 2025, mas as medidas foram posteriormente retiradas após mudanças no cenário diplomático entre Brasil e Estados Unidos.
Agora, a possibilidade de uma nova aplicação da legislação voltou ao centro das discussões. Ainda não existe, porém, uma confirmação de que novas sanções serão efetivamente anunciadas. A decisão depende das autoridades norte-americanas e de uma avaliação própria do governo Trump sobre o caso brasileiro.
No Brasil, a sessão do STF de terça-feira acrescentou novos capítulos à discussão. O julgamento foi marcado por divergências entre ministros sobre a condução dos processos relacionados ao chamado caso Master e sobre a possibilidade de analisar conjuntamente as situações de Moraes e Mendonça. O pedido de vista de Dino deixou o desfecho em aberto.
A repercussão da sessão também ultrapassou as fronteiras brasileiras. O governo dos Estados Unidos acompanha os acontecimentos envolvendo o Supremo, enquanto Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo buscam apresentar sua interpretação dos fatos diretamente em Washington. A expectativa agora está voltada para os próximos passos das autoridades americanas e para a retomada do julgamento no STF.
Apesar da intensa movimentação política e diplomática, ainda não há confirmação de qual será a decisão final de Washington. Também não existe prazo definido para uma eventual adoção de novas sanções. Por enquanto, o que está confirmado é a realização das reuniões em Washington e a tentativa de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo de ampliar a discussão sobre o caso Moraes junto ao governo norte-americano.







