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Moraes rompe o silêncio e faz forte acusação contra investigação de Mendonça

A crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes acusou o colega de realizar um levantamento “seletivo e direcionado” do sigilo de documentos relacionados ao Caso Master, afirmando que a medida poderia representar uma proteção a um determinado grupo político. A manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, em meio à preparação para a sessão que analisará elementos envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo Moraes, parte dos documentos ainda não estaria disponível para os demais integrantes do STF. No ofício enviado a Fachin, o ministro pediu acesso integral a 18 procedimentos e a outros 180 documentos vinculados a 13 processos. Para ele, não caberia ao relator definir quais peças poderiam ser consultadas pelo colegiado antes da análise do caso. A crítica elevou a tensão interna no tribunal justamente às vésperas de uma sessão considerada relevante para o futuro das apurações.

A acusação de Moraes está relacionada à forma como Mendonça determinou a retirada do sigilo de documentos do Caso Master. O ministro responsável pelos processos, porém, apresentou uma versão diferente. Mendonça afirmou que todas as peças efetivamente disponíveis nos procedimentos tiveram o sigilo retirado e foram disponibilizadas aos gabinetes. Segundo ele, diferenças na quantidade de documentos podem ocorrer por razões processuais, como transferência de peças para outros procedimentos ou classificação de determinados conteúdos como internos.

O impasse também envolve o acesso às informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Daniel Vorcaro. Moraes, além de outros ministros, defendeu que o conteúdo integral fosse disponibilizado para permitir uma análise completa dos elementos que serão considerados pelo Supremo. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente ao acesso dos ministros às informações necessárias para a sessão, aumentando a pressão por transparência na condução do caso.

A disputa ocorre paralelamente à decisão de Fachin de assumir a relatoria do procedimento que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo Moraes. Mendonça continua responsável por outros processos relacionados ao Banco Master, enquanto a discussão sobre os documentos e os critérios utilizados para retirar os sigilos passou a integrar o próprio embate entre os ministros. Assim, além das informações envolvendo Moraes e Vorcaro, o STF passou a lidar com uma divergência direta sobre a condução das investigações.

A sessão do STF prevista para 15 de setembro deverá colocar esse cenário no centro das atenções. Os ministros terão de avaliar os elementos disponíveis e decidir os próximos passos do procedimento envolvendo Moraes, enquanto permanecem as divergências sobre a disponibilização dos documentos do Caso Master. Até o momento, as acusações feitas por Moraes contra Mendonça são objeto de controvérsia entre os próprios integrantes da Corte, já que Mendonça contesta a existência de uma liberação seletiva e sustenta que disponibilizou todo o material efetivamente acessível.

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