Curiosidades

Quem é a estrela por trás deste rosto dos anos 60? A trajetória de uma verdadeira lenda do cinema

A imagem de uma senhora de cabelos brancos, óculos e roupas confortáveis pode não revelar imediatamente a identidade da mulher que aparece na fotografia. Décadas atrás, porém, ela era um dos rostos mais conhecidos do cinema internacional e ajudou a transformar os padrões de beleza, moda e comportamento de uma geração. Trata-se de Brigitte Bardot, atriz francesa que se tornou uma das maiores estrelas do cinema europeu e um dos símbolos culturais mais marcantes dos anos 1950 e 1960. Nascida em Paris, em 28 de setembro de 1934, Bardot começou a carreira ainda jovem como modelo e estudou balé antes de chegar às telas. Aos 15 anos, apareceu na capa da revista Elle, oportunidade que contribuiu para aproximá-la do mundo artístico. Sua estreia no cinema aconteceu em 1952 e, nos anos seguintes, ela participou de diversas produções até conquistar projeção internacional.

O grande ponto de virada aconteceu em 1956, quando Brigitte Bardot protagonizou “E Deus Criou a Mulher”, dirigido por Roger Vadim, que na época era seu marido. O filme apresentou uma personagem feminina com comportamento muito diferente dos padrões tradicionais do cinema daquele período e chamou atenção dentro e fora da França. A produção transformou Bardot em uma estrela internacional e fez nascer uma verdadeira “Bardomania”, com sua imagem passando a influenciar roupas, penteados, maquiagem e até a maneira como a mulher era representada nas telas. O cabelo loiro, o olhar marcado e o estilo descontraído se tornaram características imediatamente associadas à atriz. A repercussão foi tão grande que Bardot passou a ser acompanhada constantemente pela imprensa e se tornou uma referência cultural muito além do cinema.

Durante a década de 1960, a carreira de Bardot continuou em destaque. Ela participou de filmes como “O Desprezo”, dirigido por Jean-Luc Godard, e “Viva Maria!”, além de trabalhos que mostraram diferentes aspectos de sua capacidade artística. Também desenvolveu uma carreira musical e gravou diversas canções ao longo dos anos 1960 e início dos anos 1970. Apesar da enorme fama, a exposição constante também trouxe dificuldades pessoais e fez com que a atriz passasse a questionar o estilo de vida proporcionado pela celebridade. Em determinado momento, começou a desejar uma rotina mais tranquila, distante da intensa atenção dos fotógrafos e da indústria cinematográfica. Essa mudança de perspectiva seria fundamental para a decisão que tomaria alguns anos depois.

Uma das histórias mais curiosas envolvendo Brigitte Bardot aconteceu no Brasil. Em 1964, a atriz visitou Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, acompanhada do então namorado, Bob Zagury. Naquele período, a região ainda era conhecida principalmente como uma tranquila vila de pescadores. A presença da estrela francesa chamou a atenção da imprensa internacional e contribuiu para colocar o destino no mapa do turismo mundial. A ligação entre Bardot e Búzios permaneceu tão forte que a cidade posteriormente criou a Orla Bardot e instalou uma estátua da atriz em tamanho real. Atualmente, a homenagem é um dos pontos mais conhecidos do balneário e lembra uma época em que a visita de uma celebridade internacional ajudou a despertar o interesse de turistas de diferentes países pela região.

Em 1973, aos 39 anos, Brigitte Bardot decidiu encerrar sua carreira artística. A escolha surpreendeu muita gente, já que ela ainda era uma personalidade de enorme reconhecimento. Depois de deixar o cinema, entretanto, encontrou uma nova missão: a defesa dos animais. Seu envolvimento com a causa havia começado anos antes, mas ganhou uma dimensão ainda maior depois da aposentadoria. Em 1986, ela criou a Fundação Brigitte Bardot, em Saint-Tropez, organização que passou a atuar em iniciativas relacionadas à proteção e ao bem-estar animal. A instituição continua existindo e mantém abrigos e projetos voltados à causa. Assim, a antiga estrela das telas passou a ser conhecida também por sua atuação em defesa dos animais, construindo uma segunda fase de sua trajetória completamente diferente daquela vivida nos estúdios.

Brigitte Bardot morreu em 28 de dezembro de 2025, aos 91 anos, em Saint-Tropez, encerrando uma trajetória que atravessou várias gerações. Sua história, porém, permanece presente tanto no cinema quanto na cultura popular. Para alguns, ela representa uma das grandes musas da cinematografia francesa; para outros, sua maior contribuição veio depois das câmeras, por meio de sua dedicação aos animais. A imagem atual de Bardot, muito diferente daquela que marcou os cartazes dos anos 1950 e 1960, também serve como lembrança de que o tempo transforma até os rostos mais famosos. Ainda assim, poucas artistas conseguiram deixar uma marca tão duradoura na moda, no cinema e no imaginário coletivo.

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