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Investigação da PF: Vorcaro custeou viagens internacionais para servidores do Banco Central

Novos detalhes da investigação envolvendo o Banco Master colocaram novamente Daniel Vorcaro no centro das atenções. Relatórios elaborados pela Polícia Federal e encaminhados ao Supremo Tribunal Federal apontam que o ex-banqueiro teria custeado viagens internacionais e despesas de lazer para dois servidores que ocupavam funções relevantes no Banco Central. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (11) e fazem parte dos documentos analisados no caso que apura a relação entre Vorcaro e integrantes da instituição.

Os servidores citados são Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que já estavam no radar das autoridades por causa de contatos frequentes com o então controlador do Banco Master. Segundo a investigação, os dois teriam mantido uma espécie de consultoria informal para Vorcaro, oferecendo orientações e atuando em assuntos de interesse da instituição financeira. Ambos foram afastados de suas funções e passaram a ser investigados no contexto do caso Master.

De acordo com os documentos divulgados, Belline Santana teria viajado para Paris acompanhado da esposa. A Polícia Federal aponta que Vorcaro teria participado da organização da viagem, inclusive com providências relacionadas à logística e reservas em restaurantes. O episódio passou a ser analisado pelos investigadores como parte da relação mantida entre o empresário e o servidor, especialmente diante das suspeitas de que informações e orientações relacionadas ao Banco Central teriam sido compartilhadas com o grupo ligado ao Master.

Outro caso mencionado nos relatórios envolve Paulo Sérgio Neves de Souza e uma viagem com a família para a Disney, nos Estados Unidos. Em depoimento prestado anteriormente à Polícia Federal, Vorcaro admitiu ter oferecido apoio relacionado à viagem, afirmando que poderia disponibilizar um serviço de concierge por meio de uma estrutura de marketing ligada a ele. Na ocasião, o empresário classificou a iniciativa como um “agrado”, mas negou que tivesse realizado pagamentos ilícitos aos diretores do Banco Central.

A investigação, porém, apresenta uma interpretação diferente sobre a dimensão dessa relação. Segundo a PF, os contatos entre Vorcaro e os dois servidores iam além de encontros ocasionais e envolviam assuntos considerados relevantes para o funcionamento do Banco Master. Relatórios citados pela imprensa indicam ainda que Belline teria recebido valores mensais do banco sob a justificativa de financiar um programa de treinamento para jovens. Os investigadores apontam que os pagamentos chegaram a aproximadamente R$ 3,8 milhões no período analisado.

Os documentos também mencionam uma movimentação financeira relacionada a Paulo Sérgio. Conforme a Polícia Federal, haveria indícios de que uma agência de viagens recebeu cerca de US$ 38 mil em operações relacionadas ao servidor. A informação está sendo considerada dentro do conjunto de elementos reunidos no inquérito, que busca entender se benefícios pessoais teriam sido utilizados para aproximar integrantes do Banco Central dos interesses do grupo de Vorcaro.

A relação entre o ex-banqueiro e os servidores já havia aparecido em outras etapas da investigação. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostraram a existência de um grupo de comunicação formado pelo empresário, Belline e Paulo Sérgio. Segundo informações obtidas pelo UOL, as conversas tratavam de estratégias relacionadas ao Banco Master, documentos e caminhos que poderiam ser adotados diante de questões envolvendo a instituição financeira.

O próprio Vorcaro confirmou, em depoimento à PF realizado no fim de agosto, que recebeu os dois servidores algumas vezes em suas residências em São Paulo e Brasília. Segundo o relato, os encontros estavam relacionados à situação do Banco Master e às negociações envolvendo uma possível fusão com o BRB. A declaração passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores para reconstruir a proximidade entre o empresário e integrantes do Banco Central.

A apuração também avançou sobre outros nomes ligados ao Banco Central. Nesta semana, a Polícia Federal determinou que o atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo, o ex-presidente Roberto Campos Neto, o diretor de Fiscalização Ailton de Aquino e o empresário André Esteves, do BTG Pactual, prestem depoimento como testemunhas no caso. Os investigadores querem esclarecer diferentes episódios relacionados à fiscalização do Banco Master e às informações apresentadas pelos servidores investigados.

As defesas dos envolvidos contestam as suspeitas apresentadas pela investigação. Os argumentos incluem a existência de origem lícita para recursos, caráter institucional de determinados contatos e negativa de irregularidades. Vorcaro também rejeitou a acusação de que teria corrompido servidores do Banco Central. Por isso, os fatos apontados nos relatórios ainda fazem parte de uma investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.

A divulgação desses documentos acontece em um momento de grande atenção sobre o caso Banco Master e seus possíveis desdobramentos institucionais. Parte do material foi tornada pública após decisões tomadas no Supremo, permitindo que informações antes protegidas por sigilo fossem analisadas por diferentes setores. A expectativa agora é de que novos depoimentos e documentos ajudem a esclarecer como funcionava a relação entre Vorcaro e os servidores e se houve favorecimento indevido ao banco.

O caso continua em andamento e deve permanecer no centro do debate nacional nas próximas semanas. Com novas informações sendo incorporadas ao processo, investigadores, autoridades e as defesas terão de apresentar suas versões sobre os episódios. Até que as apurações sejam concluídas e eventuais responsabilidades sejam definidas pelas autoridades competentes, as acusações devem ser tratadas como suspeitas sob investigação, sem antecipar conclusões sobre a participação individual de qualquer envolvido.

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