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Chuchu pode ajudar na saúde? Veja o que é verdade e o que é exagero nessa promessa

Uma imagem que circula nas redes sociais afirma que o chuchu, especialmente quando combinado com limão e alho, seria capaz de eliminar dores nos joelhos, reduzir pés inchados, controlar a pressão alta, baixar o colesterol, melhorar a circulação e até combater a anemia.

A mensagem chama atenção, principalmente porque apresenta o alimento como uma espécie de solução natural para vários problemas diferentes. Mas será que o chuchu realmente tem todos esses efeitos?

A resposta é mais equilibrada: o chuchu é um alimento nutritivo e pode fazer parte de uma alimentação saudável, mas não existem evidências de que um suco de chuchu consiga eliminar todas essas condições.

O chuchu é realmente um alimento saudável?

Sim. O chuchu (Sechium edule) é uma hortaliça de baixa densidade calórica, com bastante água e pequenas quantidades de fibras, vitamina C, folato e potássio.

Segundo a TBCA, 100 gramas de chuchu cru fornecem cerca de 18 kcal, 1,4 g de fibras, 130 mg de potássio, 11 mg de vitamina C e 87,2 µg de folato.

O Ministério da Saúde também destaca o chuchu entre os alimentos regionais brasileiros, ressaltando seu baixo valor calórico, presença de fibras e nutrientes como potássio e vitamina C.

Por isso, incluir chuchu na alimentação pode ser uma boa escolha, especialmente quando ele substitui preparações muito calóricas ou ricas em sal.

Chuchu ajuda a controlar a pressão?

Existe alguma pesquisa interessante sobre o assunto, mas é preciso separar potencial efeito de tratamento comprovado.

Estudos clínicos pequenos investigaram o consumo de preparações concentradas de Sechium edule em pessoas mais velhas com síndrome metabólica. Alguns encontraram alterações favoráveis na pressão arterial e em determinados marcadores metabólicos.

Isso, entretanto, não significa que beber água de chuchu ou suco de chuchu seja capaz de substituir medicamentos para hipertensão.

Além disso, o chuchu contém potássio, um mineral importante para o organismo, mas isso não transforma automaticamente o alimento em um remédio para pressão alta.

E o colesterol?

Aqui também é necessário ter cautela.

Algumas pesquisas experimentais e clínicas investigaram possíveis efeitos do chuchu sobre o metabolismo de gorduras. Uma revisão científica sobre a planta aponta propriedades nutricionais e bioativas que justificam novas pesquisas, mas também destaca que os estudos sobre seus efeitos farmacológicos ainda são relativamente limitados.

Um estudo com adultos mais velhos com síndrome metabólica encontrou aumento do HDL, o chamado colesterol “bom”, após seis meses de uma preparação concentrada de chuchu. Entretanto, não houve diferença significativa para o colesterol total.

Portanto, não é correto afirmar que o chuchu “elimina o colesterol”.

Uma alimentação rica em vegetais, frutas, legumes, fibras e alimentos pouco processados pode contribuir para uma alimentação favorável à saúde cardiovascular, mas o tratamento da hipercolesterolemia deve ser individualizado.

Chuchu combate anemia?

Essa é uma das afirmações mais problemáticas da imagem.

O chuchu contém ferro, mas em quantidade pequena. A TBCA registra aproximadamente 0,18 mg de ferro por 100 g de chuchu cru.

Isso significa que ele pode fazer parte de uma alimentação variada, mas não é considerado um tratamento para anemia.

Além disso, anemia não significa necessariamente deficiência de ferro. Existem diferentes tipos de anemia e diversas causas possíveis.

Quando existe suspeita de anemia, o ideal é investigar a causa com um profissional de saúde, em vez de tentar corrigir o problema apenas com sucos ou alimentos isolados.

E as dores nos joelhos?

Não há evidência suficiente para afirmar que comer chuchu ou beber seu suco elimine dores nos joelhos.

Dor nas articulações pode ter muitas causas, incluindo artrose, lesões, inflamações, sobrecarga, alterações musculares e outras condições.

Uma alimentação equilibrada pode contribuir para o controle geral do peso e para a saúde do organismo, mas isso é muito diferente de dizer que determinado vegetal funciona como analgésico ou tratamento para uma doença articular.

Se uma dor persiste, piora ou vem acompanhada de inchaço, vermelhidão ou dificuldade para movimentar a articulação, é importante procurar avaliação profissional.

Chuchu pode diminuir o inchaço dos pés?

Também não é correto prometer esse resultado.

Pés e tornozelos inchados podem aparecer por motivos relativamente simples, como permanecer muito tempo em pé ou sentado, mas também podem estar relacionados a problemas circulatórios, medicamentos, doenças cardíacas, renais, hepáticas ou outras condições.

Por isso, tentar tratar um inchaço persistente somente com suco de chuchu pode atrasar a descoberta da verdadeira causa.

O papel do limão e do alho

A imagem também mostra limão e alho junto ao chuchu.

Os dois são alimentos interessantes e podem fazer parte de uma alimentação saudável. O alho, por exemplo, contém compostos bioativos estudados em relação à saúde cardiovascular, enquanto o limão fornece vitamina C.

Mas juntar vários ingredientes em um copo não transforma automaticamente a bebida em um medicamento.

É justamente esse tipo de associação que costuma gerar receitas populares com promessas muito maiores do que aquilo que os estudos científicos conseguem demonstrar.

Uma forma melhor de consumir chuchu

Não é necessário preparar um suco para aproveitar o alimento.

O chuchu pode ser consumido:

cozido;
refogado com alho e cebola;
em sopas;
em saladas;
em ensopados;
em suflês;
em tortas;
junto com outras hortaliças.

O Ministério da Saúde cita várias dessas formas tradicionais de consumo.

Na prática, uma preparação simples de chuchu com alho, cebola, ervas e pouco sal pode ser muito mais interessante para a alimentação cotidiana do que tentar transformá-lo em um “remédio natural”.

Afinal, vale a pena consumir chuchu?

Sim, mas pelas razões certas.

O chuchu é leve, hidratante, possui fibras e fornece alguns micronutrientes importantes. Ele pode contribuir para uma alimentação equilibrada e substituir acompanhamentos mais calóricos em diversas refeições.

Pesquisas recentes também continuam investigando possíveis efeitos metabólicos do Sechium edule. Uma revisão sistemática publicada recentemente encontrou redução estatisticamente significativa de glicose e hemoglobina glicada em alguns estudos com pessoas mais velhas, mas os próprios autores ressaltam que o efeito foi clinicamente modesto e que o chuchu não deve substituir medicamentos.

Isso mostra justamente por que é importante evitar os dois extremos: dizer que o chuchu “cura tudo” ou afirmar que ele “não serve para nada”.

Ele é um bom alimento. Só não é uma cura milagrosa.

O cuidado mais importante

Se você tem pressão alta, colesterol elevado, anemia, inchaço frequente ou dores persistentes nas articulações, não abandone medicamentos nem tratamentos recomendados para apostar exclusivamente em uma receita caseira.

O chuchu pode estar no prato de quem tem essas condições, mas o tratamento deve ser definido de acordo com a causa e as necessidades de cada pessoa.

A melhor forma de aproveitar o chuchu é enxergá-lo como aquilo que ele realmente é: uma hortaliça nutritiva, versátil e acessível que pode fazer parte de uma alimentação saudável — e não como um remédio capaz de eliminar diversos problemas de saúde de uma só vez.

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