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Cury condiciona apoio a Flávio no segundo turno a explicações sobre Dark Horse e rejeita Lula​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​

Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo partido Avante, declarou nesta quinta-feira que não apoiará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno das eleições de 2026. Em agenda de campanha realizada em São Paulo, o escritor e psiquiatra condicionou qualquer respaldo ao senador Flávio Bolsonaro, do PL, a uma série de esclarecimentos e compromissos públicos.

Durante encontro com investidores na região da Faria Lima, Cury foi questionado sobre sua posição caso não avance para a disputa final. Ele afirmou de forma categórica que não daria apoio a Lula “em hipótese alguma”. O candidato do Avante argumentou que o modelo político associado ao PT precisa ser superado e que sua própria candidatura representa uma alternativa sem histórico de corrupção. Segundo ele, enfrentar o atual presidente seria um cenário desafiador para o petista.

Em relação a Flávio Bolsonaro, Cury adotou tom mais cauteloso, mas deixou a porta aberta para um possível alinhamento. O presidenciável do Avante destacou que o senador “está atolado com o Banco Master até as últimas consequências”, referindo-se às investigações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis repasses financeiros relacionados à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Cury exigiu que Flávio prove publicamente que não há envolvimento em irregularidades e explique detalhadamente o destino dos recursos destinados ao projeto cinematográfico.

Além disso, o candidato estabeleceu uma condição adicional: Flávio precisaria se comprometer formalmente a adotar o plano de governo elaborado pela chapa do Avante. Isso envolveria o registro em cartório de um documento no qual o senador se obrigaria a cumprir as propostas. Caso essas exigências sejam atendidas, Cury afirmou que seus eleitores estariam “liberados” para votar no candidato do PL. Ele ressaltou que não permaneceria neutro em um segundo turno entre Lula e Flávio, mas condicionou qualquer apoio a essas explicações e compromissos.

As declarações ocorrem em um momento em que Cury tem registrado crescimento nas pesquisas de intenção de voto. Após períodos com percentuais baixos, o escritor passou a ocupar a terceira posição em levantamentos recentes, atraindo eleitores que rejeitam a polarização entre o petismo e o bolsonarismo. Seu discurso, centrado em temas de desenvolvimento pessoal, gestão sem conflitos agressivos e propostas de longo prazo, tem conquistado espaço entre segmentos que buscam uma alternativa intermediária.

O contexto eleitoral de 2026 é marcado pela disputa acirrada entre Lula, que busca a reeleição, e Flávio Bolsonaro, principal nome da oposição. As controvérsias envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse” têm sido objeto de reportagens e investigações, gerando questionamentos sobre relações políticas e financeiras. Cury aproveitou o momento para se posicionar como uma figura que cobra transparência de ambos os lados, ao mesmo tempo em que reforça a própria imagem de candidato sem vínculos com os escândalos tradicionais da política brasileira.

No evento em São Paulo, o candidato do Avante também abordou outros temas, como a necessidade de reformas institucionais e a importância de reunir profissionais técnicos para a gestão pública. Ele defendeu a formação de uma equipe qualificada, livre de históricos de irregularidades, e reiterou que o Brasil precisa de um projeto de nação que vá além de disputas pessoais ou partidárias. Suas falas foram recebidas com aplausos por parte do público presente, composto principalmente por representantes do mercado financeiro.

A postura de Cury reflete a estratégia de se apresentar como terceira via em um cenário ainda dominado pelos dois principais nomes das pesquisas. Ao condicionar o apoio a Flávio a provas de lisura e ao compromisso com seu programa, o candidato busca preservar a credibilidade junto ao eleitorado que o acompanha, ao mesmo tempo em que sinaliza disposição para dialogar com forças de oposição ao atual governo. A recusa absoluta a apoiar Lula, por outro lado, deixa claro o afastamento em relação ao campo petista.

As declarações devem gerar repercussão nos próximos dias, tanto entre aliados quanto entre adversários. Em um pleito ainda distante do primeiro turno, posições como a de Cury podem influenciar a migração de votos e as negociações políticas futuras. O crescimento do escritor nas pesquisas já preocupa as campanhas de Lula e Flávio, que observam com atenção a capacidade do candidato do Avante de atrair eleitores insatisfeitos com a polarização tradicional. Resta saber se as condições impostas por Cury serão respondidas e de que forma isso poderá alterar o quadro eleitoral nas próximas semanas.

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