PoderData/Aya mostra Flávio com 47% e Lula com 45% no 2º turno; disputa segue em empate técnico

A nova rodada da pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta quinta-feira (10), coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República. O levantamento registra 47% para Flávio e 45% para Lula. Como a margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos, o cenário continua sendo de empate técnico. A pesquisa também mostra uma disputa apertada no primeiro turno: Lula aparece com 38% das intenções de voto e Flávio com 36%, diferença igualmente dentro da margem de erro.
Os números chamam atenção porque foram coletados entre os dias 6 e 9 de setembro, período em que o ambiente político foi marcado por forte repercussão das divergências internas no Supremo Tribunal Federal, por decisões envolvendo o comando da Polícia Federal e por novos desdobramentos do caso Banco Master. Ainda assim, não é possível afirmar, com base apenas no levantamento, que a movimentação registrada nas intenções de voto tenha sido causada diretamente pela crise no STF. Pesquisas eleitorais captam o estado de opinião em um determinado momento, mas não isolam, por si só, o efeito de cada notícia sobre a decisão do eleitor.
Flávio aparece numericamente à frente no segundo turno
Na simulação de confronto direto, Flávio Bolsonaro alcança 47% e Lula marca 45%. Brancos e nulos e eleitores que não souberam responder completam o cenário. A diferença de dois pontos percentuais não é suficiente para caracterizar uma liderança estatisticamente segura porque o intervalo de variação do levantamento permite que os percentuais reais dos dois candidatos se sobreponham.
Mesmo assim, a evolução da série merece atenção. Na rodada anterior do PoderData/Aya, divulgada em 3 de setembro, Flávio tinha 45% e Lula 44% em uma eventual segunda etapa. Agora, ambos oscilaram para cima, com Flávio chegando a 47% e Lula a 45%. Como as variações estão dentro ou muito próximas da margem de erro, a leitura mais prudente é a de manutenção de uma disputa extremamente competitiva, e não de uma mudança definitiva de liderança.
O dado se soma a outros levantamentos recentes que mostram um quadro apertado. A Quaest apontou empate numérico de 41% entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno. Já a pesquisa Meio/Ideia registrou 46% para cada um. O BTG/Nexus também encontrou empate técnico, com 46% para Flávio e 45% para Lula. Em outro levantamento, o instituto Gerp mostrou vantagem numérica maior para o candidato do PL, com 47% contra 40%, embora cada pesquisa utilize amostras, métodos e períodos de coleta próprios.
Primeiro turno também mostra distância reduzida
No cenário estimulado de primeiro turno do PoderData/Aya, Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro 36%. Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro lugar, com 10%. Renan Santos (Missão) registra 3%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) e Pablo Marçal (PRTB) aparecem com 2% cada. Hertz Dias (PSTU), Romeu Zema (Novo), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB) marcam 1% cada. Clariana Barão (DC), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata) não pontuaram nesta rodada. Brancos e nulos somam 3%, enquanto 1% não soube responder.
Em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, Lula oscilou de 37% para 38%, enquanto Flávio passou de 34% para 36%. Augusto Cury permaneceu em 10%. Novamente, as diferenças devem ser tratadas com cautela: os movimentos estão dentro da margem de erro e podem representar tanto variação estatística quanto mudança real de preferência. Para identificar tendência de maneira mais segura, o ideal é observar várias rodadas do mesmo instituto e comparar também com pesquisas de metodologias diferentes.
A proximidade entre os dois principais candidatos reforça um quadro que já vinha aparecendo nas pesquisas divulgadas no início de setembro. No 7 de Setembro, Flávio Bolsonaro intensificou sua estratégia de mobilização política, enquanto Lula buscou preservar uma agenda institucional. Desde então, o noticiário passou a ser dominado por temas relacionados ao STF, ao Banco Master e às investigações que envolvem diferentes personagens do cenário político.
Pesquisa foi realizada durante a crise no STF
A rodada do PoderData/Aya ouviu 3.000 eleitores em 623 municípios das 27 unidades da Federação, entre 6 e 9 de setembro, por telefone. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual e o nível de confiança informado é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04914/2026.
O período de entrevistas coincidiu com uma sequência incomum de acontecimentos no Supremo. Nos últimos dias, o presidente da Corte, Edson Fachin, interveio em decisões conflitantes relacionadas ao comando da Polícia Federal. O POB acompanhou esse processo em matéria que detalhou a decisão de Fachin de suspender ordens de ministros e manter Andrei Rodrigues na chefia da PF. Também houve mudanças na condução do Inquérito das Fake News e novas discussões sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
É justamente essa coincidência temporal que levou parte do debate público a associar a nova pesquisa à crise institucional. O próprio artigo que motivou esta reportagem apresenta o levantamento como o primeiro após o agravamento das divergências no STF. Essa associação, porém, precisa ser tratada como hipótese política, e não como conclusão científica. O questionário divulgado até aqui não demonstra que cada entrevistado tenha alterado seu voto por causa das decisões do Supremo, nem permite calcular qual notícia teria produzido maior influência.
O que é possível concluir e o que seria exagero
Há duas conclusões objetivas que podem ser extraídas do levantamento. A primeira é que Lula e Flávio Bolsonaro continuam tecnicamente empatados nos cenários mais importantes testados pelo PoderData/Aya. A segunda é que Flávio aparece numericamente à frente no segundo turno e reduziu a distância no primeiro turno em comparação com rodadas anteriores. Qualquer afirmação de que a eleição já mudou de favorito, de que existe uma tendência irreversível ou de que a crise no STF foi a causa direta dessa oscilação iria além do que os dados permitem afirmar.
Pesquisas eleitorais são fotografias de um momento específico e podem sofrer variações relacionadas à metodologia, à composição da amostra, à ordem das perguntas e ao período de campo. Por isso, o fato de um candidato aparecer um ou dois pontos à frente em um levantamento não significa automaticamente uma vantagem consolidada. O mais útil para o eleitor é observar a sequência das medições e a convergência — ou divergência — entre diferentes institutos.
Neste caso, a convergência atual está principalmente na percepção de que a corrida presidencial se tornou mais apertada. Quaest, Meio/Ideia, BTG/Nexus, Palver e PoderData/Aya apresentam cenários de segundo turno dentro da margem de erro. O Gerp é uma exceção relevante por mostrar Flávio sete pontos à frente. Já pesquisas anteriores, como o Datafolha de 3 de setembro, registravam Lula numericamente à frente, com 46% contra 44%, também em empate técnico.
Crise institucional entrou de vez na campanha
Mesmo que não seja possível medir de forma direta o impacto da crise no Supremo sobre o novo resultado, o tema passou a ocupar um espaço central na disputa política. Flávio Bolsonaro e aliados têm usado os episódios envolvendo ministros do STF para reforçar críticas ao funcionamento da Corte. Do outro lado, integrantes do governo e do PT procuram separar a disputa eleitoral das controvérsias judiciais e defendem que as instituições resolvam os conflitos internamente.
O cenário ganhou uma camada adicional depois que Fachin passou a centralizar decisões relacionadas às controvérsias recentes. Em outra frente, o STF marcou para 15 de setembro a análise sobre o caso Moraes–Vorcaro. A expectativa em torno dessa sessão mantém o assunto no centro do noticiário justamente quando as campanhas entram na reta decisiva.
Para Flávio Bolsonaro, o momento combina oportunidades e riscos. As pesquisas mostram aproximação ou vantagem numérica em algumas simulações, mas o senador também aparece associado a investigações e controvérsias que podem produzir desgaste. Para Lula, o desafio é preservar a dianteira observada em parte dos levantamentos de primeiro turno ao mesmo tempo em que enfrenta uma disputa de segundo turno cada vez mais equilibrada.
Outras pesquisas ajudam a dimensionar o cenário
A leitura conjunta dos institutos mostra por que a eleição não pode ser resumida a uma única pesquisa. Na Quaest divulgada em 7 de setembro, Lula e Flávio apareceram com 41% cada no segundo turno. Na Meio/Ideia, divulgada em 9 de setembro, os dois marcaram 46%. No BTG/Nexus, Flávio teve 46% e Lula 45%. Já no Gerp, Flávio chegou a 47% contra 40% de Lula. As diferenças entre os resultados mostram que existe incerteza estatística e metodológica relevante.
No primeiro turno, a configuração também varia. O PoderData/Aya mostra Lula com 38% e Flávio com 36%. Outros institutos registram diferenças maiores ou menores. O ponto comum é que os dois concentram a maior parte das intenções de voto, enquanto Augusto Cury aparece como o terceiro nome mais competitivo em várias rodadas recentes.
Essa concentração aumenta a importância de rejeição, capacidade de transferência de votos e desempenho entre eleitores ainda indecisos. Em eleições polarizadas, pequenas mudanças em segmentos específicos podem produzir variações relevantes no segundo turno, sobretudo quando a diferença entre os dois principais candidatos está dentro da margem de erro.
Metodologia importa para interpretar os números
O PoderData utiliza entrevistas por telefone e informa que a amostra foi distribuída nacionalmente. O nível de confiança de 95% significa que, considerando o desenho estatístico declarado, 95 em cada 100 levantamentos equivalentes tenderiam a apresentar resultados dentro do intervalo calculado. A margem de erro de 1,8 ponto deve ser aplicada aos percentuais de cada candidato, e não simplesmente somada à diferença entre eles.
Por isso, no segundo turno, 47% para Flávio e 45% para Lula configuram empate técnico. O mesmo princípio vale para o primeiro turno, em que 38% e 36% também não representam uma separação estatisticamente conclusiva. A expressão “numericamente à frente” descreve corretamente a ordem dos percentuais, mas não substitui a informação de que há empate dentro da margem.
O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-04914/2026, etapa obrigatória para pesquisas eleitorais divulgadas durante o período eleitoral. O registro não significa aprovação do resultado pelo tribunal, mas garante a apresentação prévia de informações como contratante, metodologia, plano amostral e período de realização.
Disputa permanece aberta
A nova rodada do PoderData/Aya reforça a percepção de que a eleição presidencial entrou em uma fase de alta competitividade. Flávio Bolsonaro alcança 47% no segundo turno e aparece dois pontos acima de Lula, enquanto o presidente mantém vantagem numérica de dois pontos no primeiro turno. Nos dois casos, há empate técnico.
O fato de as entrevistas terem ocorrido durante a escalada das divergências no STF torna o levantamento politicamente relevante, mas não permite estabelecer uma relação automática de causa e efeito. Para saber se existe uma tendência consistente de crescimento de Flávio ou de perda de apoio de Lula, será necessário acompanhar as próximas rodadas e observar se o movimento aparece de forma semelhante em outros institutos.
O próximo conjunto de pesquisas deve ser particularmente importante. Com menos de um mês para o primeiro turno, debates, propaganda eleitoral, novas decisões judiciais e eventuais fatos econômicos podem alterar a percepção do eleitorado rapidamente. A melhor leitura, neste momento, é a mais simples: a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece aberta, apertada e estatisticamente indefinida.
Fontes consultadas: levantamento PoderData/Aya divulgado em 10 de setembro de 2026; dados reproduzidos por CNN Brasil/Itatiaia; histórico recente de pesquisas Quaest, Meio/Ideia, BTG/Nexus, Gerp e Datafolha; e artigo do Jornal da Cidade Online que motivou esta reportagem.



