Relatórios sobre Mendonça viram centro de crise entre STF e Polícia Federal; entenda a disputa

Seis relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal entre 3 e 31 de agosto se tornaram o principal ponto de uma crise que envolve ministros do Supremo Tribunal Federal e a direção da corporação.
Os documentos aparecem em decisões e manifestações recentes de André Mendonça e Alexandre de Moraes e passaram a ser usados para sustentar acusações institucionais em sentidos opostos.
O que Mendonça afirma
Na decisão que afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento sistemático e ilegal.
Segundo o ministro, os relatórios analisaram sua atuação em investigações do Banco Master e das fraudes no INSS, sua interlocução com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e possíveis motivações de decisões tomadas pelo gabinete.
Mendonça questionou a forma de produção dos documentos e apontou ausência de elementos formais que, na sua avaliação, seriam necessários para conferir autoria, data e confiabilidade ao material. A cobertura de CNN Brasil e Pleno.News registra que o ministro chegou a comparar o cenário ao ambiente de vigilância descrito no romance “1984”, de George Orwell.
O que a PF havia sustentado
A posição da Polícia Federal que antecedeu a decisão é diferente. Em reportagem publicada pelo g1 em 3 de setembro, a corporação afirmou, em relatórios enviados ao Supremo, que Mendonça teria determinado diligências relacionadas a pessoas com prerrogativa de foro sem autorização específica para investigar essas autoridades.
Segundo a mesma apuração, a PF registrou que o ministro teria solicitado acesso amplo a mensagens e interações encontradas em materiais apreendidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Essas informações foram citadas por Alexandre de Moraes ao levantar possíveis irregularidades na condução das investigações. Mendonça rejeitou a interpretação e passou a sustentar que os próprios relatórios representavam uma forma indevida de vigilância sobre sua atuação.
Por que os relatórios são tão importantes
O conflito vai além do conteúdo dos documentos. A controvérsia envolve também a finalidade da inteligência policial e os limites de sua utilização em investigações que alcançam autoridades com foro no Supremo.
Relatórios de inteligência não têm necessariamente a mesma função de uma prova produzida em inquérito. Eles podem servir para orientar análise de risco e subsidiar decisões, mas a forma de elaboração, a origem das informações e a finalidade do documento são relevantes para avaliar sua legitimidade.
É justamente essa distinção que agora será examinada pela Corregedoria da PF, depois de Mendonça determinar a abertura de procedimentos penal e administrativo-disciplinar para apurar quem encomendou, produziu, recebeu e compartilhou os relatórios.
Banco Master está no pano de fundo
A crise escalou no contexto das investigações do Banco Master. Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo de material que incluía mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e referências a autoridades.
Nos dias seguintes, a divulgação de novos documentos aumentou a tensão dentro do STF. A CNN descreveu o afastamento de Andrei como o capítulo mais recente de uma crise que já vinha se formando desde a semana anterior.
O que ainda precisa ser esclarecido
Até aqui, há acusações recíprocas e interpretações conflitantes, mas não uma conclusão definitiva sobre eventuais responsabilidades. As investigações determinadas por Mendonça deverão apurar a cadeia de produção dos relatórios e se houve desvio de finalidade.
Ao mesmo tempo, o STF ainda precisa definir se a decisão de afastamento será confirmada definitivamente e se o caso continuará na Segunda Turma ou será levado ao plenário.
Para o leitor, a distinção mais importante é esta: as alegações de monitoramento ilegal feitas por Mendonça e as acusações anteriores registradas pela PF são versões em disputa institucional, não fatos definitivamente julgados.
Fontes consultadas:
g1, CNN Brasil, SBT News, Pleno.News, Agência Brasil e O Globo, em reportagens publicadas entre 1º e 8 de setembro de 2026.



