Mulher de 47 anos com câncer em estágio 4 faz alerta sobre sintoma discreto que ignorou

Uma história compartilhada por uma mulher australiana de 47 anos chamou atenção para algo que muitas pessoas costumam considerar banal: mudanças no funcionamento do intestino acompanhadas de um cansaço fora do normal.
Susan Schmidt, mãe de dois filhos e fisioterapeuta, contou que começou a perceber alterações em seu corpo quando tinha 45 anos. No início, porém, não imaginava que aqueles sinais pudessem estar relacionados a um câncer de intestino. A história foi publicada originalmente em 2025 e voltou a circular nas redes sociais.
O relato merece atenção não porque todo cansaço ou prisão de ventre signifique câncer, mas porque mostra como sintomas persistentes podem ser facilmente atribuídos a causas comuns.
Tudo começou com um cansaço diferente
Segundo o relato de Susan, a primeira mudança que realmente chamou sua atenção foi uma fadiga muito intensa.
Não era simplesmente aquela sensação de estar cansada depois de um dia corrido. Ela chegou a precisar interromper trajetos curtos de carro para descansar.
Em determinada ocasião, depois de deixar a filha em um treino de remo, Susan contou que precisou parar o carro e dormir por aproximadamente 40 minutos antes de conseguir voltar para casa.
Mesmo assim, naquele momento ela procurou uma explicação que parecia plausível.
Acreditou que pudesse estar relacionado à menopausa precoce.
E foi justamente essa interpretação que fez com que o sintoma passasse a parecer menos preocupante.
Depois veio uma mudança no intestino
Durante uma viagem à França, Susan percebeu que estava sofrendo com prisão de ventre persistente.
Como estava comendo de maneira diferente e experimentando uma culinária que não fazia parte de sua rotina, imaginou que a alteração pudesse estar relacionada à alimentação.
Ela não deu ao sintoma a importância que daria posteriormente.
Depois que voltou para a Austrália, entretanto, surgiu uma dor intensa e repentina. De acordo com seu relato, a dor foi extremamente forte.
Ela procurou atendimento médico e passou por exames.
Mas o diagnóstico não apareceu imediatamente.
Os exames iniciais não apontaram o problema
Um dos aspectos mais marcantes da história é que Susan relatou que seus exames de sangue não mostravam alterações que indicassem claramente um câncer.
Isso também ajuda a entender por que um exame aparentemente normal não deve ser interpretado isoladamente quando existem sintomas persistentes.
No caso do câncer colorretal, por exemplo, podem existir sintomas como mudanças prolongadas no hábito intestinal, dor ou cólicas abdominais, fadiga, perda de peso sem explicação e sangramento nas fezes. Entretanto, esses sinais também podem ser provocados por diversas outras condições.
Por isso, o caminho correto não é concluir que existe câncer, mas investigar quando uma mudança no corpo é nova, persistente ou está piorando.
O diagnóstico veio meses depois
Segundo o relato publicado, aproximadamente quatro meses depois do início dos primeiros sintomas, Susan recebeu o diagnóstico de câncer de intestino em estágio 4, em setembro de 2023.
A doença já estava avançada.
Atualmente, segundo a publicação de 2025, ela passou a conviver com a necessidade de novos ciclos de tratamento e transformou sua experiência pessoal em uma forma de conscientizar outras pessoas.
A história também a levou a criar a The Floozie Foundation, organização voltada ao apoio de pacientes com câncer de intestino e profissionais de enfermagem na Austrália.
O sintoma que ela gostaria que as pessoas levassem mais a sério
Susan passou a destacar principalmente as mudanças persistentes no funcionamento intestinal.
Prisão de ventre ocasional é extremamente comum e pode acontecer por alimentação, baixa ingestão de líquidos, pouca fibra, medicamentos, alterações de rotina e diversas outras razões.
O problema é quando uma pessoa percebe que seu funcionamento intestinal mudou e essa alteração não desaparece ou vem acompanhada de outros sintomas.
O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI) lista, entre os sinais que podem aparecer no câncer de cólon, mudanças nos hábitos intestinais, incluindo constipação ou diarreia, sensação de evacuação incompleta, desconforto abdominal, perda de peso inexplicada e fadiga.
A American Cancer Society também destaca mudanças persistentes no hábito intestinal, sangramento retal, sangue nas fezes, dor abdominal, fraqueza, fadiga e perda de peso involuntária.
Fadiga intensa também merece investigação
Outro ponto importante na história de Susan é o cansaço extremo.
Sentir-se cansado depois de uma noite mal dormida ou de uma semana muito intensa é normal. O que chama atenção é uma fadiga que não melhora adequadamente com descanso, começa a interferir nas atividades cotidianas ou surge sem uma explicação clara.
O NCI explica que a fadiga relacionada ao câncer pode ser muito intensa e não necessariamente desaparecer com sono ou repouso. Também pode estar associada à própria doença, anemia, tratamento, alterações nutricionais, dor, problemas de sono e outros fatores.
Isso, entretanto, não significa que cansaço seja sinônimo de câncer.
Existem inúmeras causas muito mais comuns para fadiga, incluindo anemia, infecções, alterações hormonais, problemas de sono, estresse, depressão, alimentação inadequada e diversas doenças.
Não espere aparecer sangue para procurar ajuda
Um detalhe que chamou atenção no relato de Susan foi justamente a ausência de um dos sinais que muitas pessoas associam imediatamente ao câncer colorretal: sangue visível nas fezes.
Mas nem todos os casos apresentam sangramento perceptível.
A American Cancer Society explica que o câncer colorretal pode provocar sangramento no trato digestivo e que, em algumas situações, o sangue pode não ser visível nas fezes. A perda de sangue ao longo do tempo também pode contribuir para anemia.
Por isso, esperar necessariamente por sangue nas fezes antes de procurar avaliação não é uma boa estratégia.
Prisão de ventre não significa câncer
É importante fazer essa ressalva para evitar interpretações assustadoras.
A grande maioria das pessoas que apresenta prisão de ventre não está com câncer.
Constipação pode ter inúmeras causas, incluindo pouca ingestão de líquidos, alimentação com pouca fibra, determinados medicamentos, mudanças de rotina e outras condições.
O que merece atenção é uma mudança persistente ou inexplicada, principalmente quando aparece junto com outros sinais.
A própria American Cancer Society ressalta que sintomas associados ao câncer colorretal também podem ser provocados por infecções, hemorroidas, síndrome do intestino irritável e doenças inflamatórias intestinais.
Quais mudanças devem ser observadas?
Entre os sinais que justificam uma conversa com um profissional de saúde estão:
- mudança persistente no hábito intestinal;
- prisão de ventre nova ou que não melhora;
- diarreia persistente;
- alteração no formato das fezes;
- sensação de que o intestino não esvaziou completamente;
- sangue nas fezes ou sangramento retal;
- dor ou cólicas abdominais persistentes;
- cansaço ou fraqueza sem explicação;
- perda de peso sem intenção;
- alterações que continuam ou pioram com o tempo.
Ter um desses sintomas não significa automaticamente ter câncer. A função deles é servir como um motivo para investigar a causa.
A prevenção também passa pelo rastreamento
Existe outro ponto importante que vai além de prestar atenção aos sintomas: o câncer colorretal pode ser detectado antes mesmo de provocar sinais.
A American Cancer Society recomenda que pessoas com risco médio iniciem o rastreamento aos 45 anos, utilizando testes apropriados, como exames de fezes ou métodos de visualização do intestino. Pessoas com maior risco, como aquelas com histórico familiar relevante, podem precisar começar antes ou realizar acompanhamento diferente.
Por isso, não é necessário esperar o corpo apresentar algum problema para conversar com um médico sobre rastreamento.
O alerta de Susan vai além do câncer
Talvez a principal mensagem da história não seja simplesmente “observe a prisão de ventre”.
É perceber quando o seu padrão normal mudou.
Cada pessoa conhece, ainda que de maneira aproximada, como costuma funcionar seu intestino, quanto costuma dormir, qual é seu nível habitual de energia e como normalmente se sente.
Quando algo muda de forma persistente, vale investigar.
Susan contou sua experiência justamente para incentivar outras pessoas a não normalizarem alterações que continuam acontecendo.
Seu relato não deve ser usado para diagnosticar ninguém pela internet, mas pode servir como um lembrete importante: sintomas comuns também merecem atenção quando são novos, persistentes ou aparecem em conjunto com outros sinais.
E, principalmente, não é preciso esperar que um sintoma se torne dramático para procurar ajuda. Muitas condições têm causas simples, mas descobrir a causa cedo permite receber o cuidado adequado — e, no caso dos cânceres que podem ser rastreados, a detecção precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento.



