Mendonça apresenta faturas de cartão e detalha pagamento de roupas compradas em alfaiataria de São Paulo
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou extratos de seu cartão de crédito para esclarecer uma controvérsia envolvendo a compra de roupas em uma alfaiataria de São Paulo. A iniciativa ocorreu depois da divulgação de um áudio atribuído ao advogado Ciro Soares, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, no qual ele afirma ter levado o magistrado ao estabelecimento para fazer um terno. A gravação ganhou ampla repercussão e levantou questionamentos sobre quem teria efetivamente pago pelas peças adquiridas. Para afastar interpretações de que as roupas poderiam ter sido custeadas por terceiros, Mendonça decidiu tornar públicos documentos relacionados às transações. Primeiro, foram apresentadas notas fiscais emitidas pela Alegrete Alfaiataria e, posteriormente, extratos do cartão utilizado nas compras, permitindo comparar datas, valores e parcelamentos registrados nos documentos.
Os áudios que deram origem à discussão teriam sido enviados por Ciro Soares a Daniel Vorcaro em 2025 e vieram a público na última quarta-feira (2). Em uma das mensagens, o advogado relata ao banqueiro que havia levado “André” a uma alfaiataria para fazer um terno. A frase provocou interpretações diversas nas redes sociais e no meio político, sobretudo pela relação profissional atribuída a Soares com Vorcaro. Diante da repercussão, a principal dúvida passou a ser se a participação do advogado na visita ao estabelecimento significaria também algum tipo de pagamento ou benefício. A existência da gravação, entretanto, não demonstrava por si só quem havia arcado com as despesas. Foi justamente para responder a esse ponto que Mendonça optou por apresentar documentos financeiros ligados diretamente às compras realizadas naquele período.
No dia seguinte à divulgação das gravações, o ministro apresentou duas notas fiscais da Alegrete Alfaiataria, estabelecimento localizado em São Paulo. Os documentos somavam R$ 26,4 mil e estavam emitidos em nome de sua esposa. As compras haviam sido registradas nos dias 8 e 28 de fevereiro de 2025. As notas indicavam a aquisição de diferentes peças, incluindo um terno cinza, dois blazers, camisas produzidas sob medida e acessórios. Apesar da apresentação desses documentos, surgiram novos questionamentos sobre a origem efetiva dos pagamentos, já que uma nota fiscal comprova a realização da compra, mas não identifica necessariamente quem utilizou seus próprios recursos para quitá-la. Foi então que Mendonça decidiu apresentar também registros do cartão de crédito, fornecendo um segundo conjunto de documentos para sustentar sua versão.
Na fatura de um cartão Visa com vencimento em 11 de março de 2025 aparece uma cobrança de R$ 4 mil identificada como pagamento à Alegrete Alfaiataria. O lançamento corresponde a uma compra efetuada em 8 de fevereiro, exatamente uma das datas registradas nas notas fiscais anteriormente apresentadas. Segundo os documentos divulgados, esse valor seria a primeira de quatro parcelas referentes a uma das aquisições. A coincidência entre a data do lançamento financeiro, a emissão da nota fiscal e o período mencionado no áudio passou a ser um dos principais elementos apresentados pelo ministro para demonstrar que o pagamento foi realizado por meio de seu cartão. A documentação estabelece, portanto, uma conexão direta entre a compra na alfaiataria e uma cobrança registrada em instrumento financeiro vinculado a Mendonça.
Outro extrato, referente ao período seguinte, registra a segunda parcela da primeira compra, novamente no valor de R$ 4 mil. A mesma fatura mostra ainda uma cobrança de R$ 3,3 mil relacionada a uma nova aquisição realizada em 28 de fevereiro. De acordo com os documentos apresentados, esse segundo lançamento seria a primeira de três parcelas referentes a outra compra realizada no estabelecimento. Dessa maneira, os registros financeiros apresentados acompanham as datas indicadas nas duas notas fiscais divulgadas anteriormente. Ao colocar essas informações à disposição, Mendonça procura demonstrar de forma documental que as despesas foram cobradas em seu próprio cartão, respondendo diretamente às dúvidas surgidas depois da circulação dos áudios. O episódio mostra como registros financeiros podem ser utilizados para esclarecer controvérsias quando declarações isoladas geram interpretações diferentes sobre um mesmo acontecimento.
Com a divulgação das faturas, a discussão passa a contar com elementos mais objetivos para análise. Os documentos apresentados pelo ministro mostram cobranças realizadas pela mesma alfaiataria, nas mesmas datas registradas nas notas fiscais e em valores compatíveis com o parcelamento informado. Isso reforça a versão de que Mendonça arcou com os pagamentos das roupas adquiridas. A apresentação dos extratos não impede que o material continue sendo examinado ou que novos documentos sejam divulgados, mas oferece uma resposta concreta ao principal questionamento surgido após a publicação dos áudios. Até o momento, o que pode ser afirmado com base nas informações apresentadas é que existem notas fiscais das compras e registros de cobranças no cartão utilizado pelo ministro. Qualquer afirmação diferente dependeria de evidências adicionais capazes de contradizer esses documentos.



