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Pesquisas mostram como Lula e Bolsonaro chegavam à reta final da eleição de 2022

A comparação entre as pesquisas eleitorais de 2022 e o cenário observado em 2026 ajuda a entender como as disputas presidenciais podem mudar ao longo do tempo. Embora os levantamentos não sejam capazes de antecipar o resultado de uma eleição, eles registram o momento político e permitem observar movimentos de crescimento, estabilidade ou redução das diferenças entre os principais candidatos.

Em setembro de 2022, quando faltava aproximadamente um mês para o primeiro turno da eleição presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva aparecia na liderança das pesquisas, enquanto Jair Bolsonaro ocupava a segunda posição. Um levantamento Datafolha divulgado em 1º de setembro daquele ano apontava Lula com 45% das intenções de voto, contra 32% de Bolsonaro. A margem de erro era de dois pontos percentuais. Naquele momento, a votação do primeiro turno estava marcada para 2 de outubro.

A vantagem registrada nas pesquisas, entretanto, não significava que o resultado estivesse definido. Ao longo das semanas seguintes, Bolsonaro apresentou crescimento em alguns levantamentos, enquanto Lula permaneceu na liderança. Uma pesquisa divulgada em 9 de setembro, por exemplo, mostrava Lula com 45% e Bolsonaro com 34%, reduzindo a distância entre os dois candidatos.

O resultado efetivo do primeiro turno mostrou uma disputa mais apertada do que a diferença observada em alguns levantamentos de intenção de voto. Lula terminou aquela etapa com 48,43% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro alcançou 43,20%. A diferença foi de pouco mais de cinco pontos percentuais.

A eleição acabou sendo decidida no segundo turno, realizado em 30 de outubro de 2022. Lula venceu Bolsonaro por uma diferença inferior a dois pontos percentuais, em uma das disputas presidenciais mais equilibradas da história recente do país.

Quatro anos depois, o cenário apresentado pelas pesquisas é diferente. Os levantamentos realizados em 2026 mostram novamente Lula na liderança do primeiro turno, mas com uma distância menor em relação ao principal adversário.

Pesquisa Datafolha divulgada em setembro de 2026 indicou Lula com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 33%. Augusto Cury registrou 8%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os números demonstram uma disputa competitiva, embora Lula permaneça numericamente à frente no primeiro turno.

A situação fica ainda mais equilibrada quando são considerados cenários de segundo turno. Em uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento apontou 46% para o atual presidente e 44% para o senador. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado é considerado empate técnico.

Os números também mostram por que comparações entre eleições diferentes precisam ser feitas com cautela. Em 2022, os eleitores estavam diante de uma disputa entre Lula e Jair Bolsonaro. Em 2026, o cenário envolve outros nomes e circunstâncias políticas, econômicas e sociais diferentes. Além disso, pesquisas realizadas em momentos distintos refletem comportamentos eleitorais que podem mudar até o dia da votação.

Outro ponto importante é que intenção de voto não representa necessariamente decisão definitiva. Durante uma campanha, debates, propaganda eleitoral, alianças, acontecimentos políticos e econômicos e o desempenho dos candidatos podem influenciar a escolha do eleitor.

A experiência de 2022 demonstra justamente essa característica. Apesar de Lula ter mantido vantagem durante boa parte da reta final do primeiro turno, Bolsonaro reduziu parte da diferença e terminou a votação com uma votação expressiva. O segundo turno foi ainda mais equilibrado e acabou decidido por uma diferença pequena.

Em 2026, os levantamentos disponíveis novamente apontam para uma disputa que merece acompanhamento. Lula aparece à frente no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro se mantém próximo. A possibilidade de segundo turno também aparece como um cenário relevante diante dos números atuais.

Assim, a principal diferença entre os dois momentos está no tamanho da vantagem registrada nas pesquisas. Em setembro de 2022, Lula apresentava uma distância maior sobre Jair Bolsonaro em determinados levantamentos. Em setembro de 2026, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro é consideravelmente menor.

Os dados reforçam uma regra conhecida das eleições: pesquisas mostram tendências, mas não determinam resultados. Até a abertura das urnas, o cenário pode sofrer alterações significativas. Por isso, os números devem ser acompanhados como retratos de cada momento da disputa, e não como uma previsão definitiva do resultado eleitoral.

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