Mendonça fica isolado no STF em ofensiva contra Moraes, dizem bastidores

O ministro André Mendonça enfrenta um cenário considerado desfavorável dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) para avançar com a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no contexto do caso Banco Master. Nos bastidores da Corte, a avaliação é de que Mendonça ainda não teria apoio suficiente entre os demais integrantes do tribunal para sustentar uma maioria favorável ao aprofundamento das apurações.
De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, o entendimento entre pessoas que acompanham o caso é de que Mendonça conta, neste momento, com apoio mais firme do ministro Luiz Fux. A ministra Cármen Lúcia também poderia eventualmente se aproximar dessa posição, dependendo dos desdobramentos do caso e da repercussão pública das informações divulgadas. Ainda assim, o ambiente predominante no STF seria de resistência à abertura de uma investigação contra Moraes.
A divulgação do relatório da Polícia Federal e a retirada do sigilo do procedimento passaram a ser interpretadas, nos bastidores, como uma tentativa de ampliar o debate público sobre o caso. Pessoas próximas à discussão avaliam que a exposição dos elementos reunidos poderia aumentar a pressão da sociedade e influenciar ministros que ainda não tenham uma posição definitiva sobre o assunto. Essa possibilidade, porém, não significa que a pressão externa seja capaz de determinar o resultado de uma eventual votação.
O caso ganhou novos contornos após a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A PGR defendeu o arquivamento do procedimento e questionou a forma como a apuração envolvendo Alexandre de Moraes foi conduzida. O entendimento apresentado pelo órgão é de que a investigação teria ocorrido de maneira inadequada, levantando dúvidas sobre a validade dos elementos reunidos e sobre a competência para a realização das diligências.
Entre ministros do Supremo, a preocupação também estaria relacionada ao impacto da crise sobre a imagem do Poder Judiciário. Desde que os detalhes do relatório passaram a público, integrantes da Corte discutem possíveis caminhos para evitar que o episódio provoque um desgaste ainda maior para o tribunal. A avaliação predominante seria de que o confronto institucional precisa ser administrado com cautela para impedir que a situação evolua para uma crise ainda mais profunda dentro do STF.
Um dos principais defensores da tese de anulação das provas, segundo a reportagem, é o grupo formado por ministros alinhados ao entendimento do decano Gilmar Mendes. A posição é semelhante à apresentada por Paulo Gonet: a coleta de elementos contra Alexandre de Moraes deveria ser anulada por não ter sido previamente autorizada pelo plenário da Suprema Corte. Esse entendimento, se prevalecer, poderá impedir que os dados reunidos sejam utilizados para sustentar uma nova investigação.
O presidente do STF, Edson Fachin, ocupa uma posição decisiva nos próximos passos do caso. Cabe a ele definir se a questão será levada ao plenário para discussão entre os ministros. Fachin também tem defendido, segundo informações divulgadas, uma saída baseada no diálogo e na tentativa de reduzir a tensão interna. A preocupação seria evitar que divergências entre integrantes da própria Corte provoquem um confronto institucional com consequências ainda mais amplas.
Apesar das tentativas de reduzir a tensão, fontes ouvidas pela reportagem avaliam que ainda faltam interlocutores capazes de construir uma solução consensual. A crise envolve interpretações diferentes sobre o procedimento adotado, a competência para investigar um ministro do STF e a validade das provas reunidas. Essas divergências dificultam a construção de uma saída rápida e aumentam a expectativa sobre uma possível decisão do plenário.
Para que uma investigação avance formalmente, a questão precisará passar pela decisão de Edson Fachin sobre o encaminhamento do caso. Mendonça defende que o debate seja realizado de forma transparente e que os ministros possam analisar publicamente os argumentos apresentados. No entanto, a resistência interna indica que a possibilidade de abertura de uma investigação enfrenta obstáculos importantes.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que uma eventual análise pelo plenário poderia ser adiada para depois das eleições de 2026. A preocupação seria evitar que o caso interfira diretamente no ambiente político e contamine ainda mais a disputa presidencial. Por enquanto, o futuro do procedimento permanece indefinido e dependerá das decisões tomadas pela Presidência do STF e, eventualmente, pelo conjunto dos ministros da Corte.
O episódio revela uma das maiores tensões recentes nos bastidores do Supremo. De um lado, André Mendonça busca levar adiante a discussão sobre os elementos reunidos pela Polícia Federal. Do outro, a PGR e uma parcela significativa dos ministros demonstram resistência ao procedimento. O próximo movimento de Edson Fachin poderá definir se a crise seguirá para uma discussão aberta no plenário ou se o caso tomará outro rumo dentro da Suprema Corte.



