Geral

Tralli e Renata estão fora de sabatina com candidatos num eventual 2º turno

A Globo definiu uma mudança importante em sua cobertura das eleições presidenciais de 2026 caso a disputa avance para o segundo turno. A jornalista Renata Lo Prete será responsável por conduzir as entrevistas com os candidatos que permanecerem na corrida pelo Palácio do Planalto. A apresentadora assumirá a função desempenhada por César Tralli e Renata Vasconcellos durante a primeira rodada de sabatinas promovida pelo Jornal Nacional. Segundo a emissora, entretanto, a escolha de Lo Prete já faz parte do planejamento de cobertura e não teria qualquer relação com as avaliações e comentários que surgiram após as entrevistas realizadas nos últimos dias. A decisão chama atenção principalmente porque ocorre depois de uma semana em que a atuação dos jornalistas do principal telejornal da emissora esteve no centro das discussões nas redes sociais e também entre representantes das campanhas.

Entre segunda-feira (24) e sábado (29), César Tralli e Renata Vasconcellos receberam os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais mencionadas pela emissora: Romeu Zema, do Novo; Ronaldo Caiado, do PSD; Renan Santos, do Missão; Luiz Inácio Lula da Silva, do PT; Flávio Bolsonaro, do PL; e Augusto Cury, do Avante. As entrevistas tiveram ampla repercussão e se transformaram em um dos momentos de maior visibilidade da campanha presidencial até aqui. Como tradicionalmente acontece em períodos eleitorais, a atuação dos entrevistadores também passou a ser analisada por apoiadores, adversários e espectadores. Questionamentos sobre tempo destinado às respostas, interrupções, temas escolhidos e participação dos jornalistas acabaram ampliando o debate para além das propostas apresentadas pelos próprios candidatos.

Um dos comentários que repercutiram após as sabatinas partiu de Lula. O candidato afirmou ter ficado “triste” com a forma como sua entrevista foi conduzida, manifestação que contribuiu para aumentar a discussão sobre o formato adotado pelo Jornal Nacional. A Globo, por sua vez, sustenta que a escalação de Renata Lo Prete para um eventual segundo turno não representa uma resposta às críticas feitas durante a primeira etapa das entrevistas. Dessa forma, a emissora procura separar as duas situações: de um lado, as reações naturalmente provocadas pelas sabatinas; do outro, o planejamento previamente estabelecido para as próximas fases da cobertura eleitoral. A mudança, porém, inevitavelmente desperta atenção devido ao protagonismo que as entrevistas ganharam na reta decisiva da campanha.

Além das manifestações públicas, informações sobre possíveis avaliações internas também começaram a circular. Segundo o colunista Flávio Ricco, do Portal Leo Dias, a condução das entrevistas por César Tralli e Renata Vasconcellos teria sido analisada nos bastidores da Globo. Ainda de acordo com o colunista, haveria uma percepção de que, em determinados momentos, poderia ter existido maior firmeza diante de algumas respostas apresentadas pelos candidatos. Como essas informações são atribuídas a uma apuração de bastidores e não a um posicionamento oficial detalhado da emissora, elas devem ser tratadas dessa maneira. A própria Globo afirma que a entrada de Lo Prete em uma eventual nova rodada de entrevistas não decorre dessas avaliações, reforçando que diferentes jornalistas participam das diversas etapas previstas para a cobertura das eleições.

Renata Lo Prete possui longa trajetória no jornalismo político e já esteve à frente de diferentes coberturas eleitorais na televisão brasileira, característica que torna sua participação especialmente relevante em um possível segundo turno. Nesse estágio da eleição, apenas dois candidatos continuam na disputa, fazendo com que cada entrevista tenha potencial ainda maior de repercussão e influência no debate público. As perguntas também tendem a se concentrar na comparação direta entre propostas, declarações anteriores, alianças e projetos para o país. Por isso, a escolha do jornalista responsável pelas sabatinas naturalmente desperta interesse tanto das campanhas quanto dos telespectadores. Caso o segundo turno seja confirmado, caberá a Lo Prete administrar esse ambiente de maior atenção e conduzir conversas que estarão entre os principais acontecimentos jornalísticos da etapa final da eleição.

A alteração também mostra como a cobertura televisiva continua ocupando posição relevante mesmo em uma campanha cada vez mais marcada pelas redes sociais e plataformas digitais. Entrevistas transmitidas em rede nacional rapidamente geram cortes, comentários e análises que circulam por diferentes ambientes da internet, prolongando por vários dias a repercussão de cada resposta. Com Renata Lo Prete escolhida para assumir as sabatinas caso seja necessária uma segunda votação, a expectativa agora se volta para o formato que será adotado e para os candidatos que chegarão à fase decisiva. Enquanto isso, a Globo reafirma que a troca de entrevistadores faz parte de sua organização editorial e rejeita uma ligação entre a decisão e as críticas direcionadas à condução de César Tralli e Renata Vasconcellos durante as entrevistas do primeiro turno.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: